Dirigentes da Caixa em viagem ao Uruguai coincidem com proibição de apostas no Brasil
Enquanto o governo federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciava a proibição das apostas esportivas (bets), dirigentes da Caixa Econômica Federal realizaram uma visita institucional a uma empresa pública de apostas no Uruguai. A viagem, que ocorreu entre os dias 24 e 26 de setembro, teve suas despesas cobertas pela Caixa e sua publicação foi oficializada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (29).
Participaram da comitiva Gabriel Hess, Superintendente Nacional da Caixa, Tiago de Oliveira, diretor-executivo do banco, e Renato Siqueira, dirigente da Caixa Loterias. A visita teve como objetivo conhecer o modelo da empresa de Apostas de Quota Fixa do governo uruguaio. A notícia foi inicialmente divulgada pelo site Poder 360 e confirmada pela Gazeta do Povo.
A coincidência temporal gerou questionamentos, especialmente porque a medida provisória que proibiu as apostas foi anunciada na mesma semana da viagem dos executivos. Fontes ligadas à Caixa Loterias, que pediram para não ser identificadas, afirmaram que a visita foi de rotina, parte de uma estratégia de imersão no mercado e que já estava agendada previamente, sem relação com a decisão governamental sobre as bets.
Interesse em modelos regulatórios e modelo uruguaio
A viagem dos dirigentes da Caixa ao Uruguai também ocorreu dias após um encontro entre o presidente Lula e seu homólogo uruguaio, Yamandú Orsi. Durante essa reunião, o presidente brasileiro teria expressado interesse no modelo uruguaio de apostas, conhecido por ser mais restritivo e com forte atuação estatal.
Em nota oficial, a Caixa Econômica Federal esclareceu que a visita foi de caráter institucional e que o banco, por meio de sua subsidiária Caixa Loterias, analisa constantemente o mercado de loterias. A instituição reforça que essas análises são feitas de forma responsável e alinhadas ao ambiente regulatório, incluindo visitas frequentes e participação em eventos para acompanhar aspectos estratégicos, regulatórios e de governança do setor. O banco também ressaltou que suas decisões estratégicas são baseadas em critérios técnicos, legais e de sustentabilidade.
Apesar da explicação da Caixa, a coincidência entre a visita ao modelo estatal uruguaio e a proibição das apostas esportivas no Brasil adiciona um elemento de debate sobre as estratégias e o momento das decisões tomadas pelo governo federal e pelas instituições financeiras sob seu controle.
