Guilherme Derrite, senador eleito por São Paulo, declarou que o futuro presidente do Senado terá um papel crucial na análise de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao programa Café com a Gazeta do Povo, Derrite expressou sua oposição à candidatura de Davi Alcolumbre (União) para o cargo, citando Rogério Marinho (PL) e Tereza Cristina (PP) como nomes que poderiam assumir a presidência com o compromisso de pautar tais pedidos.
“Se não houver um presidente do Senado com esse compromisso, a gente não consegue nem pautar o impeachment, para que ele seja enfim analisado”, afirmou Derrite, ressaltando a importância da liderança da Casa para dar andamento a processos que visam investigar a conduta de membros do STF.
Propostas para o sistema penal
Além de sua posição sobre a presidência do Senado, o senador eleito, que comandou a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo, apresentou propostas de endurecimento do sistema penal. Derrite defende a redução da maioridade penal para 16 anos, com a possibilidade de responsabilização a partir dos 14 anos em casos de crimes hediondos ou equiparados, como estupro, homicídio qualificado e sequestro. Ele também propõe o fim da progressão de regime de cumprimento de pena, argumentando que o sistema atual funciona como uma “porta giratória” para criminosos.
Outras medidas em sua lista incluem o fim do auxílio-reclusão e da visita íntima, além de uma revisão das regras para audiências de custódia. Derrite considera que esses mecanismos acabaram se tornando “um mecanismo da impunidade” para infratores reincidentes ou que cometeram crimes graves.
Apoio a Flávio Bolsonaro e desvinculação de ministério
Em relação ao cenário político nacional, Derrite afirmou que seu foco principal no momento é ampliar a base de apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. Ele mencionou o apoio declarado pela Federação União Progressista e pelo Republicanos, além da busca por adesões dentro do MDB. Derrite descreveu sua estratégia de campanha em três frentes: manter a base mobilizada, aproximar deputados e senadores eleitos e identificar regiões com potencial para expandir a votação.
O senador eleito também afastou especulações sobre a possibilidade de ocupar um ministério em um eventual governo. “Existe uma especulação, porque são 24 anos trabalhando com segurança pública, dois mandatos de deputado federal com projetos importantes aprovados na área e fui secretário do maior estado da federação, mas essa conversa nunca existiu. Meu foco é fazer Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno”, concluiu.
