Cuba retoma gradualmente fornecimento elétrico após falha generalizada
A ilha caribenha iniciou neste sábado (19) o processo de restabelecimento do serviço de energia elétrica, após um novo apagão nacional ter deixado milhões de cubanos sem luz. Esta foi a sétima interrupção generalizada do ano, intensificando a preocupação em meio a uma profunda crise econômica e energética que assola o país. Os 9,4 milhões de habitantes da ilha foram afetados pela falha, que ocorreu devido a problemas nas linhas de transmissão, inicialmente isolando as províncias ocidentais, incluindo a capital Havana, e posteriormente se estendendo às demais dez províncias.
No final da tarde de sábado, a União Elétrica de Cuba (UNE) anunciou que o Sistema Elétrico Nacional foi religado em 14 das 15 províncias. Apenas Guantánamo, no extremo leste, permanecia desconectada da rede. No entanto, o fornecimento ainda é instável e áreas extensas continuam sem eletricidade devido à baixa disponibilidade de geração. Em Havana, na noite de sábado, apenas 48% da população contava com o serviço. “Aqui tivemos mais ou menos quatro horas de luz à tarde e depois cortaram de novo”, relatou à agência AFP Lucía Martínez, uma pensionista que reside na zona oeste da capital, ilustrando a intermitência do serviço.
A situação energética em Cuba é marcada por cortes constantes, em grande parte devido à obsolescência das sete usinas termelétricas que sustentam a rede nacional. O cenário se agravou significativamente desde janeiro, com a imposição de um bloqueio petrolífero e outras sanções por parte do governo americano, que dificultam a importação de combustível essencial para o funcionamento das usinas e dos geradores de reserva. Autoridades da UNE afirmam que a disponibilidade de combustível seria crucial para uma recuperação mais rápida da rede elétrica.
Nas últimas semanas, os apagões têm se prolongado por mais de 30 horas na capital e ultrapassado 60 horas consecutivas em outras províncias. Enquanto Havana responsabiliza Washington pela crise no sistema elétrico, os Estados Unidos atribuem a situação à má gestão econômica interna do governo cubano. A dificuldade em restabelecer o serviço, como no apagão anterior no início de agosto, que levou 36 horas para ser solucionado, evidencia a fragilidade da infraestrutura energética e os desafios impostos pelo contexto socioeconômico e político.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência de notícias AFP.
