Centrão articula liberação de apostas esportivas após eleição, apostando em Flávio Bolsonaro
Centrão articula liberação de apostas esportivas após eleição, apostando em Flávio Bolsonaro

Centrão articula liberação de apostas esportivas após eleição, apostando em Flávio Bolsonaro

Congresso debate flexibilização de proibição de bets após eleições Integrantes do centrão planejam atuar no Congresso Nacional para modificar a medida provisória (MP) que proibiu as apostas esportivas (bets) no Brasil. A estratégia é aguardar o término do período eleitoral para, então, buscar um acordo que permita a liberação das apostas esportivas, mantendo a proibição […]

Resumo

Congresso debate flexibilização de proibição de bets após eleições

Integrantes do centrão planejam atuar no Congresso Nacional para modificar a medida provisória (MP) que proibiu as apostas esportivas (bets) no Brasil. A estratégia é aguardar o término do período eleitoral para, então, buscar um acordo que permita a liberação das apostas esportivas, mantendo a proibição de cassinos online. Essa articulação ganhou força com a perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que tem sinalizado ser favorável à regulamentação das apostas esportivas. No entanto, parlamentares também avaliam que há espaço para negociação mesmo em um cenário de reeleição de Lula, devido à pressão de clubes de futebol e da mídia.

O grupo de congressistas envolvido na articulação é composto por parlamentares com proximidade a casas de apostas, à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a clubes esportivos. Eles defendem que a discussão seja adiada para após as eleições, a fim de diminuir a pressão social e facilitar as negociações. A medida provisória, que já está em vigor, tem força de lei e sua validade pode se estender até fevereiro de 2027, dependendo da tramitação no Congresso.

O prazo para apresentação de emendas à MP, inicialmente previsto para antes do primeiro turno, foi estendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), até o dia 13, para desassociar a discussão do período eleitoral. A comissão responsável por debater a proposta deve ser formada apenas em novembro.

Articulações e Propostas em Debate

Apostando em um possível governo de Flávio Bolsonaro, representantes do setor de apostas já buscaram parlamentares como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha do candidato. O deputado Dr. Luizinho (PP-RJ), coordenador da Frente Parlamentar do Jogo Responsável, também foi acionado para defender alterações no texto da MP.

O deputado J úlio Arcoverde (PP-PI) apresentou uma emenda que propõe a liberação de apostas ligadas a eventos esportivos, mas a manutenção do veto aos cassinos online. Ele criticou a medida de Lula como uma decisão apressada para obter votos e alertou para o impacto negativo não apenas no futebol, mas também em eventos culturais regionais.

Outra iniciativa é a do deputado Bebeto (PP-RJ), que protocolou quatro emendas defendendo o funcionamento das bets e propondo que a proibição se concentre apenas no mercado ilegal, sem autorização do Ministério da Fazenda. Ele argumenta que os riscos reais para o consumidor e a integridade esportiva se concentram no mercado não regulamentado, e que a proibição ampla não erradica a demanda por apostas.

Cenários Políticos e Impactos Econômicos

Um senador e um deputado ligados à CBF veem a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro como um fator que aumenta as chances de modificar a MP. Eles acreditam que a votação da proposta, que pode ocorrer até fevereiro de 2027, permitirá uma reavaliação do veto total.

Flávio Bolsonaro, embora evite defender abertamente a liberação das apostas esportivas, criticou publicamente a proibição de cassinos online. Em declarações recentes, ele atacou Lula e mencionou ter votado contra a MP, mas evitou responder diretamente se apoiará a liberação das apostas esportivas, defendendo uma distinção responsável entre os tipos de jogo e criticando a insegurança jurídica gerada pela MP às vésperas da eleição.

Nos bastidores, parlamentares do centrão admitem a possibilidade de negociar com o próprio Lula uma flexibilização da MP após o período eleitoral, argumentando sobre os benefícios do patrocínio para o esporte e eventos culturais. Parte do governo reconhece que a medida pode impulsionar o mercado ilegal, mas considera difícil um recuo de Lula após ter utilizado a proibição como bandeira de campanha, o que poderia ser interpretado como promessa não cumprida.

As empresas de apostas argumentam que a liberação apenas das apostas esportivas, sem os cassinos online, seria insuficiente para manter os níveis de patrocínio e arrecadação fiscal, uma vez que os cassinos representam 70% do lucro do setor. Em 2025, o setor recolheu quase R$ 9 bilhões em impostos. Caso a MP seja mantida, o governo precisará compensar a renúncia de receita no orçamento de 2025 com outras medidas. O próprio governo Lula havia regulamentado o setor em 2023, após anos de ilegalidade e ausência de impostos durante os governos Temer e Bolsonaro, período que viu uma grande expansão das apostas no país.

As informações foram reunidas a partir de reportagem do jornal O Globo.

Tags:

Veja Também

Governo Lula mira cargos do Centrão que apoiaram Bolsonaro

Governo Lula mira cargos do Centrão que apoiaram Bolsonaro

Copiloto da Flydubai Planejou Ataque ao Estilo 11 de Setembro Contra Israel, Diz Procurador

Rússia descarta peste em contatos de funcionária morta por pneumonia

Pacientes com dengue em UTIs do SUS chegam em estado mais grave que na rede privada, aponta estudo

Pacientes com dengue em UTIs do SUS chegam em estado mais grave que na rede privada, aponta estudo

Ovo no Dia Mundial do Alimento: Exagerar na proteína pode ser prejudicial?

Ovo no Dia Mundial do Alimento: Exagerar na proteína pode ser prejudicial?