Doença de Creutzfeldt-Jakob atinge centenas no Brasil
O Brasil registrou 547 casos confirmados da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) entre 2005 e 2021, um período de 17 anos. A condição, considerada rara, progressiva e sem cura conhecida, ganhou destaque recentemente com o falecimento do piloto e influenciador Lito Sousa, ocorrido 41 dias após o anúncio de seu diagnóstico. Desde que a doença passou a integrar a lista de notificação compulsória em 2005, o país notificou 1.576 casos suspeitos. Desses, 547 foram confirmados, 457 descartados e 572 aguardam classificação final.
A DCJ é uma doença priônica que afeta o sistema nervoso central, causando degeneração neurológica rápida e fatal. A maior parte dos casos registrados até 2021 envolveu indivíduos na faixa etária de 55 a 74 anos, com uma idade média de 66 anos. Em relação ao gênero, mulheres representaram 53,6% das notificações, enquanto homens somaram 46,3%. O estado de São Paulo liderou o número de casos confirmados nesse período, com 202 registros, seguido por Minas Gerais (57) e Paraná (44).
As informações sobre os casos foram compiladas a partir de dados do Ministério da Saúde, que, até agosto de 2026, contabilizava cerca de 2.500 notificações de casos suspeitos em todo o país. No entanto, o ministério não forneceu o número de casos confirmados para o período entre 2021 e 2026. Entre as notificações até 2021, 290 casos (18,4%) tiveram a morte atribuída diretamente à DCJ, enquanto os demais óbitos ocorreram por outras causas ou não tiveram dados sobre sua evolução.
Diagnóstico e Manejo da Doença
O diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob é complexo e baseia-se na combinação de sintomas clínicos, evolução da doença e exames específicos. Ressonância magnética e eletroencefalograma auxiliam na investigação, assim como a análise do líquor (líquido cefalorraquidiano). Um dos exames mais importantes é o RT-QuIC, capaz de identificar a proteína priônica anormal em amostras de líquor coletadas por punção lombar. Segundo especialistas, essa análise, aliada aos achados clínicos, pode levar a um diagnóstico provisório com alta confiabilidade.
A confirmação definitiva da DCJ, no entanto, só é possível por meio da análise neuropatológica do tecido cerebral, realizada após o falecimento do paciente. Atualmente, não existe um tratamento capaz de reverter ou interromper a progressão da doença. Os cuidados médicos concentram-se no controle dos sintomas, visando proporcionar a melhor qualidade de vida possível ao paciente durante o curso da enfermidade.
