O fenômeno dos adesivos de bem-estar nas redes sociais
Nas redes sociais, uma nova tendência tem ganhado destaque: influenciadores exibindo adesivos coloridos aplicados na pele, prometendo benefícios como aumento da dopamina, melhora do humor e clareza mental. Empresas por trás desses produtos afirmam que os adesivos funcionam de maneira similar aos de nicotina ou estrogênio, permitindo a absorção de vitaminas, extratos de plantas e outros compostos diretamente na corrente sanguínea através da pele. No entanto, a eficácia dessas alegações é questionada por especialistas. As informações foram reunidas a partir de reportagem do The New York Times.
A ciência por trás da administração transdérmica
A administração transdérmica de medicamentos é uma ciência estabelecida, utilizada para a liberação lenta e contínua de substâncias, evitando o sistema digestivo e reduzindo efeitos colaterais gastrointestinais. Medicamentos como os de nicotina, para tratamento de Parkinson, TDAH e dor, são exemplos de produtos aprovados pela FDA que utilizam essa tecnologia. A eficácia depende das propriedades do composto e de sua formulação, que deve permitir a penetração através da barreira cutânea, uma estrutura complexa semelhante a ‘tijolos e argamassa’. Compostos de baixo peso molecular e solúveis em gordura têm maior probabilidade de atravessar essa barreira. A adição de facilitadores de permeação pode auxiliar nesse processo.
Ingredientes de adesivos de bem-estar: penetração e eficácia incertas
Apesar do crescimento do mercado de adesivos de bem-estar, que oferecem produtos para controle de peso, concentração e energia, faltam estudos científicos que comprovem a penetração e a eficácia de seus ingredientes. A absorção varia conforme a marca, formulação e quantidade dos componentes. Um estudo comparativo de adesivos multivitamínicos com comprimidos indicou que usuários de adesivos apresentaram maior probabilidade de deficiências de vitaminas como D e B12. Vitaminas do complexo B, comumente encontradas em adesivos para dopamina, são altamente solúveis em água, o que dificulta sua absorção pela pele. Embora existam pesquisas sobre microagulhas para auxiliar a penetração de vitamina B12, a aplicação em adesivos de bem-estar ainda é incerta.
Adesivos de dopamina e outros compostos sob escrutínio
Os chamados adesivos de dopamina frequentemente contêm precursores da dopamina, e não a substância em si, com alegações de melhora do humor e foco. A realidade científica sobre a dopamina é frequentemente distorcida, e a capacidade de alguns ingredientes chegarem à corrente sanguínea é questionável. Vitamina A, por exemplo, por ser lipossolúvel, pode permanecer nas camadas de gordura da pele. A L-tirosina, um aminoácido que poderia penetrar a pele, requer reações químicas específicas para ser convertida em dopamina, um processo que pode não ocorrer eficientemente. Extratos vegetais, como o de chá-verde, são ainda mais complexos de avaliar devido à variedade de compostos. A berberina, encontrada em adesivos para controle de peso, pode ser absorvida pela pele, com pesquisas indicando a possibilidade de administração via microagulhas, mas mais estudos são necessários para confirmar sua eficácia transdérmica como alternativa à ingestão oral.
Riscos e custos: um investimento questionável em saúde
A maioria dos especialistas concorda que ainda é cedo para afirmar se os adesivos de bem-estar cumprem suas promessas. A ciência por trás desses produtos está aquém de seu desenvolvimento e disponibilidade no mercado. Além da eficácia duvidosa, há riscos de efeitos colaterais como reações alérgicas, irritação da pele e interações medicamentosas. O custo elevado, que pode variar de US$ 20 a US$ 40 mensais, torna esses adesivos uma opção financeiramente desvantajosa para quem busca obter os benefícios de suplementos que poderiam ser consumidos oralmente de forma mais acessível e comprovada.
