A pizza, essa palavra que resiste a sinônimos e à própria logística de entrega, é o centro de um debate sobre sua qualidade quando consumida fora do ambiente ideal. Para muitos, a praticidade do delivery se sobrepõe à degradação inevitável do prato após sair do forno.
A palavra ‘pizza’ pode aparecer mais de 600 vezes em um livro dedicado ao tema, como é o caso de “O Livro da Pizza”, escrito em dupla com Gil Guimarães, chef pizzaiolo da Baco, em Brasília. Essa repetição, vista como deselegante por alguns manuais de redação, evidencia a dificuldade em encontrar um substituto que capture a essência do prato. A invenção de termos como “redonda” pelo jornalismo brasileiro é criticada como uma adaptação artificial, distante da linguagem do consumidor.
No entanto, a questão que o livro não aborda, mas que merece discussão, é o impacto do delivery na qualidade da pizza. A viagem em uma caixa de papelão, apesar de ser a forma mais popular de consumo e essencial para o negócio, é vista como um atentado contra a própria pizza. A razão é simples: o vapor liberado pela pizza recém-saída do forno condensa-se dentro da caixa, resultando em uma massa murcha e sem a textura ideal.
A tentativa de reverter essa situação, reaquecendo a pizza em casa, muitas vezes leva ao efeito oposto, deixando-a ressecada e dura. O resultado é que a pizza entregue raramente atinge o mesmo patamar de excelência daquela consumida no restaurante, diretamente do forno.
A adaptação aos novos hábitos
O autor confessa ter sido um purista, evitando o delivery e frequentando pizzarias para desfrutar da “experiência plena”. Contudo, dois casamentos e a preferência de suas ex-esposas por um ambiente mais reservado o transformaram em um consumidor assíduo de entregas. A conveniência de jantar de moletom, segundo ele, compensa a perda de qualidade.
Diante dessa realidade, a solução encontrada para desfrutar de pizzas frescas foi a produção caseira. Após testar várias receitas e métodos, o autor relata ter fundido alguns fornos domésticos devido às altas temperaturas necessárias para uma massa de qualidade. Atualmente, ele recorre a discos de pizza pré-fabricados, bem fermentados e assados, para facilitar o processo.
Pizza pomodoro: um resgate nostálgico
Para a cobertura, uma escolha pessoal marcou a adolescência: a pizza pomodoro. Inspirada na receita da família Tussato, da cantina Celeste, em São Paulo, essa opção traz sabores intensos e pode ser preparada de forma prática, até mesmo em uma air fryer.
A receita, que rende uma pizza individual, exige cerca de uma hora de preparo. O segredo reside na desidratação parcial dos tomates na air fryer a 80 ºC por 30 minutos, concentrando seu sabor e evitando que encharquem a massa. Após esse processo, a temperatura da air fryer é elevada para 200 ºC. Sobre o disco de pizza, distribuem-se rodelas de tomate desidratado, alho laminado e azeitonas pretas, temperados com sal e orégano. Finaliza-se com queijo muçarela e assa-se até o queijo derreter e dourar levemente.
A discussão sobre a qualidade da pizza no delivery, portanto, não é apenas uma questão de preferência, mas um reflexo da complexa relação entre a tradição gastronômica e as exigências da vida moderna. As informações foram reunidas a partir de um artigo publicado em uma revista especializada.
