Avanço da direita no Congresso impulsiona agenda econômica liberal de Flávio Bolsonaro
O cenário político pós-primeiro turno, com Flávio Bolsonaro à frente nas pesquisas e a expressiva bancada da direita eleita no Congresso, cria um ambiente mais favorável à aprovação de uma agenda econômica liberal. O programa da candidatura de Bolsonaro prevê crescimento sustentado do PIB de 2% para 4% ao ano entre 2027 e 2030, com medidas focadas no enxugamento do Estado, repactuação da Reforma Tributária, concessões robustas em infraestrutura e a manutenção da responsabilidade fiscal. O desempenho do PL, partido de Bolsonaro, que elegeu 121 deputados, consolidou a força da direita na Câmara, somando-se a partidos alinhados à sua pauta econômica.
No Senado, a chamada “onda à direita” também se manifestou, com o PL elegendo 19 das 54 vagas em disputa em 2026. Analistas estimam que a base de sustentação potencial para pautas liberal-conservadoras pode chegar a 41 das 81 cadeiras. O diagnóstico do PL aponta para a urgência no controle da expansão dos gastos públicos, visto que o endividamento público subiu de 74,6% para 82,9% do PIB entre agosto de 2022 e agosto de 2026, o que pressiona os juros. A resposta de Flávio Bolsonaro a esse quadro se baseia em reequilíbrio orçamentário, gestão pública eficiente, redefinição tributária com flexibilização trabalhista e um choque de infraestrutura.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela consultoria BTG Pactual e pela gestora de ativos Janus Henderson Investors.
Reequilíbrio orçamentário e gestão pública eficiente no plano de governo
O plano de Flávio Bolsonaro para o reequilíbrio fiscal inclui a extinção de ao menos dez ministérios, redução expressiva de cargos comissionados e despesas administrativas, além do controle rígido sobre os gastos discricionários dos Três Poderes. A implementação dessas medidas dependerá do instrumento legislativo escolhido, com projetos de lei ordinária exigindo maioria simples e mudanças constitucionais demandando três quintos dos votos. A consolidação da base no Congresso exigirá apoio pontual de legendas como MDB, PSD e União para destravar as propostas.
No que tange à gestão pública, o plano prevê o reforço da Lei das Estatais, o recrutamento por regras de mercado e a reativação do Programa Nacional de Desestatização (PND). A retomada da adesão do Brasil à Organização para a Cooperaçã e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também está na pauta, com o fim gradual do IOF cambial. As alterações na Lei das Estatais e autorizações para alienação de empresas públicas enfrentam barreiras ideológicas históricas, mas o perfil majoritariamente pró-mercado do novo Senado pode reduzir esses obstáculos.
Redefinição tributária e choque de infraestrutura como pilares do crescimento
A proposta de redefinição tributária sinaliza para uma revisão da reforma tributária, visando evitar alíquotas elevadas do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e a eliminação de exceções criadas por lobbies. A candidatura também se posiciona contra a retomada da contribuição sindical e propõe a criação de modalidades contratuais com menor encargo sobre a folha para jovens e trabalhadores mais velhos. As leis complementares para disciplinar o IVA e reduzir encargos sobre a folha de pagamento exigem maioria qualificada no Congresso, mas a capacidade do bloco governista de barrar destaques que onerem o setor produtivo seria maior que em legislaturas anteriores.
Em infraestrutura, Flávio Bolsonaro promete atrair R$ 900 bilhões em investimentos privados em quatro anos, via parcerias público-privadas (PPPs) e venda de ativos públicos. O foco está em destravar obras como a Ferrogrão e a Transnordestina, com licenciamento ambiental ágil e previsível. No agronegócio, o plano prioriza a expansão do seguro rural, o fomento a fertilizantes nacionais e a garantia de segurança jurídica para a propriedade privada, contando com forte apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Mercado financeiro reage com otimismo cauteloso à candidatura
O mercado financeiro tem reagido positivamente ao avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Relatórios de analistas indicam que a consolidação do senador como favorito para o segundo turno, impulsionado pela migração natural de votos de outros candidatos de centro-direita, pode levar a medidas mais decisivas para enfrentar os desequilíbrios fiscais, desencadeando um rali nos mercados. A perspectiva de maior governabilidade, apesar do sistema congressional fragmentado, eleva a chance de uma orientação pró-mercado. Contudo, os agentes do mercado aguardam maior clareza e propostas fiscais detalhadas para mensurar o real impacto de uma eventual mudança de governo.
