Resistência a novo remédio contra câncer de pâncreas é foco de pesquisa para prolongar a vida de pacientes
Resistência a novo remédio contra câncer de pâncreas é foco de pesquisa para prolongar a vida de pacientes

Resistência a novo remédio contra câncer de pâncreas é foco de pesquisa para prolongar a vida de pacientes

A busca por respostas para a resistência ao daraxonrasib no tratamento do câncer de pâncreas Um tratamento inovador que dobra a sobrevida mediana de pacientes com câncer de pâncreas avançado, o daraxonrasib, enfrenta um desafio familiar: o desenvolvimento de resistência pelas células tumorais. O ex-senador Ben Sasse, diagnosticado com a doença em estágio 4, recentemente […]

Resumo

A busca por respostas para a resistência ao daraxonrasib no tratamento do câncer de pâncreas

Um tratamento inovador que dobra a sobrevida mediana de pacientes com câncer de pâncreas avançado, o daraxonrasib, enfrenta um desafio familiar: o desenvolvimento de resistência pelas células tumorais. O ex-senador Ben Sasse, diagnosticado com a doença em estágio 4, recentemente anunciou que seu tratamento deixou de ser eficaz. Essa situação não surpreende os especialistas, que observam que a maioria dos pacientes, eventualmente, desenvolve resistência ao medicamento. A terapia, aprovada em agosto, ofereceu um novo fôlego, mas como muitos tratamentos de terapia-alvo, não representa uma cura definitiva, podendo cessar a ação após cerca de sete meses. Agora, a comunidade científica está empenhada em desvendar os porquês dessa resistência, visando estender os benefícios do daraxonrasib por mais tempo.

A questão central é entender como as células cancerosas, que dependem de uma proteína específica para sobreviver e são justamente o alvo do daraxonrasib, conseguem contornar a ação do medicamento e retomar seu crescimento. Pesquisadores de instituições renomadas, como o Instituto do Câncer Dana-Farber, e empresas como a Revolution Medicines, fabricante do daraxonrasib, colaboram em estudos para responder a essas perguntas cruciais. A colaboração, que envolve também a Break Through Cancer e a Fundação Lustgarten, busca acelerar a compreensão dos mecanismos de resistência, um fenômeno comum em diversas terapias contra o câncer, mas que se manifesta de formas distintas dependendo do tratamento e do tipo de tumor.

Desvendando os mecanismos de resistência

Um estudo preliminar apresentado na Conferência sobre Câncer de Pâncreas da Associação Americana para Pesquisa do Câncer forneceu as primeiras pistas. A pesquisa acompanhou 66 pacientes com câncer de pâncreas avançado que participavam de um ensaio clínico inicial do daraxonrasib. Amostras de seus tumores foram coletadas antes do início do tratamento, após duas semanas e no momento em que o medicamento deixou de fazer efeito. A análise revelou que, nas primeiras duas semanas, o daraxonrasib foi eficaz em reduzir o número de células cancerosas pela metade.

No entanto, a chave para a resistência residia nas células que sobreviviam. Observou-se que essas células, embora ainda cancerosas, apresentavam características diferentes. Antes do tratamento, eram tipicamente agressivas, malformadas e anormais. Após duas semanas de terapia, muitas delas passaram a se assemelhar a células que respondem à quimioterapia. Essa constatação sugere que o daraxonrasib pode ser mais eficaz quando administrado em combinação com a quimioterapia tradicional, uma descoberta potencialmente importante para otimizar o tratamento.

O papel da proteína KRAS na resistência

Outras evidências surgiram a partir de um estudo com 44 pacientes, que analisou fragmentos de DNA liberados pelas células tumorais no sangue. Antes do tratamento com daraxonrasib e após o desenvolvimento de resistência, os pesquisadores identificaram que mais da metade dos tumores escapava do medicamento ao aumentar drasticamente a produção da proteína KRAS, o alvo exato do daraxonrasib. Essa sobreprodução sugere que as células cancerosas são tão dependentes da KRAS que encontram maneiras de garantir seu suprimento, mesmo na presença do inibidor.

Essa descoberta levanta a possibilidade de que a combinação de múltiplos inibidores de KRAS possa ser uma estratégia promissora. Atualmente, mais de 90 compostos que visam essa proteína estão em diferentes fases de ensaios clínicos. Contudo, nem todos os pacientes desenvolvem resistência pelos mesmos motivos. Pesquisadores apontam que alterações não genéticas, tanto nas células cancerosas quanto no microambiente tumoral circundante, podem permitir a retomada do crescimento do câncer, indicando a complexidade do fenômeno.

Próximos passos e esperança na pesquisa

Com o objetivo de aprofundar a compreensão e desenvolver novas abordagens, a pesquisa recebeu um novo ciclo de financiamento. O foco agora é investigar como os tumores respondem ao daraxonrasib em combinação com outras terapias. Especialistas como Tyler Jacks, presidente da Break Through Cancer, expressam otimismo, considerando o daraxonrasib e outros inibidores de KRAS como passos iniciais fundamentais. A esperança é que a colaboração contínua e a pesquisa focada em entender a biologia do câncer de pâncreas levem, eventualmente, a uma cura.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Break Through Cancer, Fundação Lustgarten e Revolution Medicines.

Tags:

Veja Também

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

São Paulo amplia teste do pezinho para rastrear Atrofia Muscular Espinhal (AME) no SUS

Optogenética: A revolução que ilumina o cérebro e rendeu um Nobel

Optogenética: A revolução que ilumina o cérebro e rendeu um Nobel

Incêndio atinge prédio na UFPE pela terceira vez em oito dias; PF investigará

Incêndio atinge prédio na UFPE pela terceira vez em oito dias; PF investigará