O rover Curiosity da NASA enviou para a Terra uma imagem espetacular do nascer do sol em Marte, capturando as primeiras luzes banhando uma paisagem marciana com escarpas irregulares e imponentes. A fotografia, tirada pela câmera Mastcam do veículo cerca de uma hora após o amanhecer, revela formações rochosas moldadas pelo vento ao longo de bilhões de anos, apresentando uma aparência distinta das camadas rochosas anteriormente exploradas pelo rover.
A cena foi registrada enquanto o Curiosity, que pousou na Cratera Gale em 2012, ascende pelo Monte Sharp, uma montanha de cinco quilômetros de altura. As formações rochosas em destaque, descritas como picos escarpados e claros ao longe, fazem parte de uma camada que difere significativamente das sequências estratigráficas encontradas até agora no Monte Sharp. Ashwin Vasavada, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e cientista do projeto Curiosity, explicou que a equipe acredita que essa camada tenha se originado de sedimentos transportados pelo vento, possivelmente areia ou cinzas vulcânicas, que se consolidaram e foram posteriormente esculpidos pelo vento em cristas conhecidas como yardangs.
Uma Camada Milenar de Yardangs
Acredita-se que a camada de yardangs tenha se formado há aproximadamente 3 bilhões de anos, coincidindo com a formação de grande parte do Monte Sharp. Essa formação geológica se estende por cerca de 16 quilômetros na região noroeste da montanha. No entanto, Vasavada ressalta que a camada de yardangs não parece ser parte contínua da sequência de estratos que compõem o Monte Sharp, tendo sido adicionada posteriormente. Ela repousa sobre o que os geólogos chamam de discordância, um período em que camadas anteriores foram erodidas antes que novas camadas se depositassem sobre elas.
Explorando o Passado de Marte
Com mais de um quilômetro de elevação já alcançada em sua subida pelo Monte Sharp, o Curiosity detém o recorde de maior escalada realizada por um rover em Marte. O Monte Sharp é crucial para a pesquisa científica, pois suas camadas registram diferentes períodos da história geológica do planeta. O estudo dessas camadas já permitiu aos cientistas reconstruir a presença de corpos d’água, como lagos e riachos, em Marte, indicando que o planeta vermelho foi um dia mais úmido e quente do que o ambiente frio e desolado que conhecemos hoje.
A NASA tem planos de que o Curiosity alcance a camada de yardangs entre 2027 e 2028, onde utilizará seus instrumentos para uma análise geológica detalhada. O rover continua sua missão de investigar a geologia e o clima marciano, além de buscar evidências de condições passadas que pudessem sustentar vida microbiana. Atualmente, o Curiosity é um dos dois rovers da NASA em operação em Marte, ao lado do Perseverance, que explora a Cratera Jezero.
A nova imagem do amanhecer marciano evoca comparações com paisagens terrestres, como o Monument Valley no Arizona, mas com as distintivas características do céu alaranjado e o nascer do sol com tons azuis de Marte, como descreveu Vasavada. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela NASA.
