PT elege apenas um de quatro ex-dirigentes envolvidos em escândalos para o Congresso
PT elege apenas um de quatro ex-dirigentes envolvidos em escândalos para o Congresso

PT elege apenas um de quatro ex-dirigentes envolvidos em escândalos para o Congresso

Apenas um dos quatro nomes do PT com histórico ligado ao Mensalão e à Lava Jato conseguiu se eleger deputado federal nas eleições de 2026. João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, obteve uma vaga pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), enquanto José Dirceu, Delúbio Soares e André Vargas foram eleitos suplentes. […]

Resumo

Apenas um dos quatro nomes do PT com histórico ligado ao Mensalão e à Lava Jato conseguiu se eleger deputado federal nas eleições de 2026. João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, obteve uma vaga pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), enquanto José Dirceu, Delúbio Soares e André Vargas foram eleitos suplentes. Os quatro ex-dirigentes estiveram envolvidos em episódios de corrupção que marcaram os governos petistas.

A tentativa de retorno de figuras proeminentes do partido, que contaram com apoio político do ex-presidente Lula e da cúpula do PT, visava ampliar a bancada da legenda no Congresso. A estratégia priorizava nomes que ocuparam posições de destaque nas primeiras gestões petistas e que, após condenações, haviam se afastado da vida pública.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo PT e pela imprensa especializada.

João Paulo Cunha retoma mandato após indulto

João Paulo Cunha, que presidiu a Câmara dos Deputados entre 2003 e 2005, durante o primeiro mandato de Lula, foi eleito com 109.548 votos. Ele havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro no escândalo do Mensalão. Após cumprir pena, recebeu indulto natalino em 2016, concedido pela então presidente Dilma Rousseff. Afastado da política, atuou como advogado em Brasília antes de ser publicamente incentivado por Lula a retornar à vida pública.

Em sua justificativa para a candidatura, Cunha declarou que o momento do país exigia responsabilidade e pessoas preparadas para a reconstrução, colocando-se à disposição para auxiliar Lula e fortalecer a região que representa.

Figuras centrais do Mensalão e da Lava Jato ficam como suplentes

José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e ex-presidente do PT, disputou uma vaga na Câmara e obteve 78.450 votos, ficando como sexto suplente. Dirceu foi um dos principais articuladores políticos dos governos Lula e figura central do Mensalão, tendo seu mandato cassado em 2005 após denúncias de Roberto Jefferson (PTB-RJ). Foi condenado a mais de sete anos de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha, e posteriormente esteve envolvido em processos da Lava Jato, embora algumas condenações tenham sido anuladas pelo STF em 2024.

Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, associado ao esquema do “Valerioduto”, também foi eleito suplente após obter 14.218 votos em Goiás. Ele foi condenado a seis anos e oito meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha no Mensalão, e também enfrentou processos da Lava Jato, com condenações posteriormente anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça em 2023. Em sua defesa, Delúbio afirmou não se arrepender de nada, pois “não fizemos nada de errado”.

André Vargas, ex-primeiro vice-presidente da Câmara no biênio 2013-2014, foi eleito suplente pelo Paraná com 34.619 votos. Ele teve o mandato cassado em 2014 devido a investigações da Lava Jato e chegou a ser preso e condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Vargas sustentou que sua prisão teve motivação política e que resistiu à pressão para delatar Lula e o PT. Após a anulação de suas condenações, retornou ao partido e se apresentou como candidato para reforçar a “bancada de esquerda” em um cenário que considera “conservador e antipopular”.

A eleição de João Paulo Cunha e a suplência de Dirceu, Delúbio e Vargas refletem a complexa trajetória de figuras políticas marcadas por escândalos de corrupção, mas que, com a recuperação de direitos políticos e o apoio de parte da legenda, buscam retomar espaços na política nacional.

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