Avanço de Flávio Bolsonaro nas urnas impulsiona Ibovespa a recordes e derruba dólar, refletindo otimismo do mercado financeiro.
O desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais, superando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em votos válidos, gerou um forte otimismo no mercado financeiro. Analistas veem na eventual eleição do senador a possibilidade de um governo com maior responsabilidade fiscal e políticas mais favoráveis ao mercado. A reação foi imediata no pregão seguinte ao pleito: o Ibovespa atingiu um novo recorde histórico, superando os 209.600 pontos, com alta de mais de 9% na primeira hora de negociação, e fechou o dia com avanço consolidado de 7,7%. O dólar comercial, por sua vez, registrou queda superior a 5% em relação ao real, sendo cotado abaixo de R$ 5,00.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa especializada e relatórios de instituições financeiras.
Expectativas de austeridade fiscal e reformas impulsionam ativos brasileiros
O resultado do primeiro turno, que colocou Flávio Bolsonaro em vantagem para o segundo turno, é interpretado pelo mercado como um sinal de uma guinada política mais à direita, reforçada pela composição do Congresso Nacional. Analistas destacam que a expectativa de uma maior austeridade fiscal, inspirada na gestão de Jair Bolsonaro, é um dos principais motores do otimismo. Gustavo Budziak, CFO da Quartzo Capital, explica que a possibilidade de o Brasil desfazer um caminho de maior endividamento e destravar a política fiscal, com consequente redução de juros e estímulo ao crescimento econômico, é vista como um cenário favorável para atração de capitais internos e externos.
A percepção de um cenário mais favorável ao mercado se estende a analistas internacionais. Thomas Haugaard, gerente de portfólio na Janus Henderson Investors, avalia que o resultado aumenta a probabilidade de uma orientação política baseada na consolidação fiscal, reformas econômicas e um alinhamento mais estreito com os Estados Unidos. Ele aponta que o impacto imediato é claramente positivo para os ativos brasileiros, refletindo a maior probabilidade de reformas estruturais.
Composição do Congresso: um fator adicional de otimismo para o mercado
A eleição de um Congresso com maior representação de partidos de direita e centro-direita também contribui para o otimismo do mercado financeiro. O PL se consolidou como a maior bancada individual no Senado e tende a ser o maior bloco na Câmara dos Deputados. Essa configuração legislativa é vista como um facilitador para a formação de coalizões e a governabilidade em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, embora a fragmentação do sistema político brasileiro continue sendo um desafio. No entanto, analistas ressaltam que propostas fiscais detalhadas ainda carecem de clareza por parte das campanhas.
Em contrapartida, caso Luiz Inácio Lula da Silva vença o segundo turno, analistas preveem dificuldades de governabilidade devido à necessidade de compor uma base aliada ampla e heterogênea. Budziak, da Quartzo Capital, sugere que uma vitória de Flávio Bolsonaro facilitaria a aprovação de pautas econômicas e reformas no Congresso Nacional.
Queda da Selic e atração de investimentos: perspectivas para o futuro
O mercado também vislumbra a possibilidade de uma redução mais agressiva na taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, caso se confirme uma política fiscal mais austera. Antes do primeiro turno, a projeção mediana para a Selic ao final de 2027 era de 12%. Analistas como Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, já trabalham com projeções mais baixas, em torno de 11,5%, condicionadas às sinalizações fiscais pós-eleição. A nova composição do Congresso pode favorecer uma agenda de controle de gastos, mas a aprovação de mudanças relevantes dependerá de negociações políticas.
Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, destaca que uma Selic mais baixa, combinada com a redução da percepção de risco país, pode alterar a relação risco-retorno para investimentos em empresas de crescimento. Ele argumenta que o custo de capital mais baixo pode impulsionar a avaliação de startups e empresas em estágio inicial antes mesmo de um aquecimento significativo da economia real. A estabilidade fiscal proporcionada por um governo com apoio legislativo pode melhorar a visibilidade de longo prazo, incentivando fusões, aquisições e o ciclo de investimentos.
BTG Pactual projeta valorização expressiva em ações brasileiras
Analistas do BTG Pactual projetam uma valorização expressiva para as ações brasileiras em caso de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Relatório assinado por Carlos Siqueira, Osni Carfi e Bruno Ferreira aponta que as ações brasileiras poderiam retornar rapidamente à sua média histórica de 10 anos, implicando um potencial de valorização entre 11% e 20% em reais. Em um cenário mais otimista, onde o Ibovespa atinja um desvio padrão acima da média, a valorização poderia variar de 32% a 45%. Além disso, espera-se uma valorização do real, o que ampliaria os ganhos em dólares. Setores como varejo, incorporadoras, mercado de capitais e companhias de infraestrutura são apontados como os mais beneficiados.
