Jerônimo Rodrigues (PT) garante mais um mandato como governador da Bahia, vencendo ACM Neto no primeiro turno das eleições de 2026. O resultado confirma a hegemonia do Partido dos Trabalhadores no Executivo baiano, que se estende por duas décadas. A campanha eleitoral foi intensamente debatida em torno de escândalos financeiros e da crescente preocupação com a segurança pública no estado.
Com 55,80% dos votos válidos, totalizando 4.626.509, Jerônimo Rodrigues assegurou sua reeleição neste domingo (4), dispensando a necessidade de um segundo turno. Seu principal oponente, ACM Neto (União Brasil), obteve 43,72% dos votos, somando 3.625.227. Outros candidatos como Ronaldo Mansur (PSOL), Aroldo Felix (UP), Maria Bona (PCO) e Ariel Capistrano (DC) alcançaram percentuais menores. A abstenção no pleito foi de 19,98%, com 80,02% dos eleitores comparecendo às urnas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral e reportagens sobre o pleito.
O escândalo do Banco Master e a segurança pública dominaram o debate eleitoral
O principal tema que permeou a disputa entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto foi o escândalo envolvendo o Banco Master. Embora o governador petista não seja investigado diretamente, sua aliança com o senador Jaques Wagner (PT-BA) o colocou no centro das atenções. Wagner foi alvo da operação Compliance Zero, que apura sua relação com um ex-sócio do banco. A investigação remonta à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e à venda subsidiada de produtos aos servidores estaduais durante a gestão de Rui Costa, antecessor de Rodrigues. Suspeitas de recebimento de vantagens indevidas por Wagner, incluindo um apartamento de luxo e repasses financeiros, foram levantadas, mas sua assessoria nega irregularidades.
ACM Neto, por sua vez, teve seu nome associado ao Banco Master e à gestora Reag, com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicando o recebimento de R$ 5 milhões. O candidato defendeu-se, afirmando que os valores referem-se a serviços de consultoria e colocou-se à disposição da Justiça. Apesar das associações, ACM Neto não foi alvo de operações da Polícia Federal.
Bahia enfrenta altos índices de violência
A segurança pública emergiu como outro ponto crucial no debate eleitoral. Segundo o Atlas da Violência de 2026, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Bahia registra 40,9 homicídios por 100 mil habitantes, posicionando-se como o segundo estado mais violento do país, atrás apenas do Amapá. O avanço de facções criminosas na região Nordeste e a violência cotidiana são preocupações centrais para o eleitorado baiano. A Polícia Militar da Bahia também foi apontada como uma das mais letais do país, adicionando complexidade ao cenário de segurança.
A reeleição de Jerônimo Rodrigues garante a continuidade do projeto político do PT, que lidera o governo baiano há duas décadas, com forte apoio de figuras proeminentes como os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, que atuaram como avalistas de sua candidatura.
