Novos 'hipermoles' cósmicos descobertos em dados antigos da NASA podem desvendar mistérios do universo
Novos ‘hipermoles’ cósmicos descobertos em dados antigos da NASA podem desvendar mistérios do universo

Novos ‘hipermoles’ cósmicos descobertos em dados antigos da NASA podem desvendar mistérios do universo

Descoberta inesperada em arquivos da NASA revoluciona a astronomia Mesmo na vastidão familiar do nosso universo, novas surpresas continuam a surgir. Uma descoberta recente, baseada em dados coletados pelo Observatório de Raios X Chandra da NASA entre 1999 e 2017, revelou uma nova classe de objetos cósmicos que emitem raios X. Esses enigmáticos emissores, apelidados […]

Resumo

Descoberta inesperada em arquivos da NASA revoluciona a astronomia

Mesmo na vastidão familiar do nosso universo, novas surpresas continuam a surgir. Uma descoberta recente, baseada em dados coletados pelo Observatório de Raios X Chandra da NASA entre 1999 e 2017, revelou uma nova classe de objetos cósmicos que emitem raios X. Esses enigmáticos emissores, apelidados de ‘hipermoles’, podem ser a chave para solucionar alguns dos mistérios mais persistentes da astronomia.

A pesquisa, liderada por Mustafa Muhibullah, aluno de pós-graduação da Universidade do Alabama, identificou 84 desses objetos em seis galáxias próximas. A maioria deles era desconhecida até então. A descoberta foi publicada na revista Nature Astronomy e sugere que esses objetos são abundantes e notavelmente luminosos em sua emissão de raios X de baixa energia.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo The New York Times.

O que são os ‘hipermoles’?

Os raios X são uma forma de luz invisível ao olho humano, com comprimentos de onda mais curtos que a luz ultravioleta. Cientistas os categorizam como ‘duros’ (alta energia) e ‘moles’ (baixa energia). Tradicionalmente, os astrônomos tendiam a ignorar os raios X mais moles porque os detectores do Chandra não eram tão bem calibrados para captá-los, levando a uma supressão quase universal desses canais de energia.

Jimmy Irwin, professor de física e astronomia da Universidade do Alabama, iniciou a análise desses dados há cerca de 12 anos. Ao examinar as emissões de raios X moles, ele encontrou não apenas fontes conhecidas, mas também essas emissões anômalas. Rosanne Di Stefano, do Centro de Astrofísica em Cambridge, Massachusetts, incentivou Irwin a aprofundar a investigação, suspeitando que poderiam ser objetos ultravioleta extremamente brilhantes, invisíveis devido ao bloqueio por gás intergaláctico.

Um novo capítulo na astrofísica

A nova classe de objetos foi batizada de ‘hipermoles’ porque emitem apenas na faixa de energia mais baixa dos raios X ‘supermoles’, um termo já utilizado para descrever outros emissores de baixa energia. Desde a publicação inicial, a equipe examinou mais quatro galáxias, elevando o número total de fontes de raios X hipermoles para 145. Irwin enfatiza que não se trata de ‘excentricidades insignificantes e raras’.

As implicações dessa descoberta são vastas. Uma das hipóteses é que alguns ‘hipermoles’ poderiam ser estrelas anãs brancas em processo de expansão e resfriamento, cujas emissões migram para os comprimentos de onda mais longos do ultravioleta extremo e dos raios X hipermoles, tornando-as difíceis de observar diretamente. Essa população de anãs brancas ‘escondidas’ poderia ajudar a resolver outros enigmas cósmicos.

Resolvendo mistérios e abrindo novas questões

A existência de um grande número dessas anãs brancas mais frias pode explicar a dificuldade dos astrônomos em encontrar objetos suficientes para sustentar a frequência observada de supernovas do Tipo 1a. Essas explosões estelares são cruciais como ‘velas padrão’ para medir distâncias cósmicas, e acredita-se que ocorram quando uma anã branca acumula massa em excesso. Além disso, os ‘hipermoles’ podem ajudar a entender como o hélio e elementos mais pesados se tornam ionizados em certas galáxias.

Outras teorias sugerem a possibilidade de sistemas binários de buracos negros. Sergei Popov e Galina Lipunova propuseram que, em um sistema com dois buracos negros orbitando um ao outro, a matéria de uma estrela companheira não cairia diretamente em um deles, mas formaria um disco de detritos quente que emitiria em ultravioleta extremo e raios X hipermoles, em vez dos raios X duros esperados de um único buraco negro. Testar essa hipótese seria desafiador, mas um evento raro, como a fusão de dois buracos negros seguida por uma explosão de raios gama, poderia fornecer a confirmação definitiva.

A descoberta dos ‘hipermoles’ não apenas expande nosso catálogo de objetos cósmicos, mas também oferece novas ferramentas e perspectivas para desvendar a complexa evolução do universo.

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