Documentário da National Geographic omite estudo pioneiro brasileiro sobre o sono dos polvos
Documentário da National Geographic omite estudo pioneiro brasileiro sobre o sono dos polvos

Documentário da National Geographic omite estudo pioneiro brasileiro sobre o sono dos polvos

Apagamento Científico em Produções Internacionais Um estudo pioneiro realizado no Brasil sobre as fases de sono em polvos, que contribuiu significativamente para a compreensão da inteligência desses animais, foi omitido em produções recentes de grande alcance, como documentários e exposições da National Geographic. A descoberta, que detalha o sono alternado entre fases quieta e ativa […]

Resumo

Apagamento Científico em Produções Internacionais

Um estudo pioneiro realizado no Brasil sobre as fases de sono em polvos, que contribuiu significativamente para a compreensão da inteligência desses animais, foi omitido em produções recentes de grande alcance, como documentários e exposições da National Geographic. A descoberta, que detalha o sono alternado entre fases quieta e ativa nos cefalópodes, foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e publicada em 2021 no periódico iScience.

A pesquisa, liderada por Sylvia Medeiros sob orientação de Tatiana Leite e Sidarta Ribeiro, registrou e quantificou os dois tipos de sono em polvos da espécie *Octopus insularis*. A fase tranquila, com duração média de 415 segundos, é caracterizada pela palidez e relaxamento do animal. Já a fase ativa, com cerca de 41 segundos, apresenta mudanças rápidas de cor e textura da pele, além de movimentos oculares, que guardam semelhanças com o sono REM dos mamíferos, embora não confirmem a ocorrência de sonhos complexos nesses invertebrados.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela UFRN e pela publicação científica iScience.

A Surpresa no National Geographic Museum

A omissão do estudo brasileiro veio à tona quando a pesquisadora Tatiana Leite visitou o National Geographic Museum of Exploration, em Washington D.C. Uma apresentação intitulada “Os Polvos Sonham?” mencionava apenas a bióloga australiana Alexandra Schnell, exploradora da NatGeo, ignorando completamente a contribuição da equipe da UFRN. Detalhe relevante é que a própria Schnell havia comentado o estudo brasileiro logo após sua publicação, reconhecendo sua importância.

O apagamento científico se repetiu no documentário “Secrets of the Octopus”, também da National Geographic. Diante dessa situação, Leite enviou uma carta à National Geographic Society em 25 de agosto, solicitando a retificação e a devida atribuição à pesquisa brasileira.

Desafios para a Ciência Latino-Americana

Em sua comunicação, Tatiana Leite destacou os desafios enfrentados por descobertas científicas originadas em regiões fora dos grandes centros de pesquisa internacionais. “Descobertas científicas provenientes da América Latina e de outras regiões fora dos grandes centros da ciência internacional já enfrentam desafios significativos para obter a visibilidade e o reconhecimento adequados”, ponderou. Ela ressaltou que a omissão de autoria em plataformas de mídia influentes distorce o registro histórico das contribuições científicas.

Um mês após a reclamação formal, a pesquisadora ainda aguarda uma resposta da sociedade, evidenciando a dificuldade em garantir o reconhecimento merecido para a ciência produzida no Brasil e em outras partes do mundo fora do eixo tradicional de pesquisa global.

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