Mãe de jovem britânica que se suicidou após comprar substância de Kenneth Law: 'Ele deveria apodrecer no inferno'
Mãe de jovem britânica que se suicidou após comprar substância de Kenneth Law: ‘Ele deveria apodrecer no inferno’

Mãe de jovem britânica que se suicidou após comprar substância de Kenneth Law: ‘Ele deveria apodrecer no inferno’

A dor e a revolta de uma mãe contra o “comerciante de veneno” A mãe de Imogen Nunn, uma jovem britânica de 25 anos que tirou a própria vida em janeiro de 2023 após adquirir uma substância letal de Kenneth Law pela internet, declarou que o canadense, responsável por vender produtos químicos tóxicos a pessoas […]

Resumo

A dor e a revolta de uma mãe contra o “comerciante de veneno”

A mãe de Imogen Nunn, uma jovem britânica de 25 anos que tirou a própria vida em janeiro de 2023 após adquirir uma substância letal de Kenneth Law pela internet, declarou que o canadense, responsável por vender produtos químicos tóxicos a pessoas que acabaram se suicidando, “deveria apodrecer no inferno”. Louise Nunn expressou sua profunda indignação com o acordo judicial que impede que Law enfrente acusações no Reino Unido pelas mortes de cidadãos britânicos, apesar de sua conexão com quase 80 óbitos no país.

Kenneth Law, um ex-chef de cozinha, declarou-se culpado de 14 acusações de instigação ao suicídio no Canadá, onde contatava indivíduos em fóruns online dedicados ao tema. Como parte de um acordo com as autoridades canadenses, ele não enfrentará acusações criminais no Reino Unido, nem mesmo pelas mortes de britânicos que teriam sido facilitadas por seus produtos. Essa situação gerou revolta entre os familiares das vítimas, que se sentem “traídos”.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela BBC.

O “comerciante de veneno” e sua rede de vendas globais

A promotoria canadense aceitou um acordo de culpabilidade com Law, que retirou as acusações de assassinato. Segundo a acusação, Law vendeu aproximadamente 1.200 pacotes de substâncias tóxicas para pessoas que conheceu em fóruns online de suicídio em 40 países. Cerca de 25% desses pacotes foram enviados para o Reino Unido. A investigação que levou à prisão de Law em maio de 2023 envolveu mais de 11 organismos policiais e a participação de uma dezena de países.

Uma investigação do jornal britânico The Times revelou que Law, operando sob nomes falsos e gerenciando diversos websites, oferecia equipamentos e substâncias para auxiliar pessoas a acabar com suas vidas. Um jornalista, fingindo ser um cliente, teria recebido de Law aconselhamento sobre como usar os produtos para “garantir a morte da forma mais eficaz”. Os pacotes de Law chegaram a clientes em pelo menos 41 países, incluindo França, China e Brasil.

O acordo judicial e a “censura” aos testemunhos de familiares

Apesar da conexão com as mortes no Reino Unido, o Serviço de Promotoria do Reino Unido (CPS) aceitou o acordo de culpabilidade canadense sob a condição de que a sentença de Law considerasse essas mortes. Segundo uma carta obtida pela BBC, o CPS temia que Law pudesse contestar sua extradição do Canadá para o Reino Unido, e que o julgamento canadense fosse a via “mais rápida e eficaz” para buscar justiça.

Na semana passada, a Justiça canadense ouviu declarações de impacto de vítimas britânicas, que serão consideradas na sentença de Law. No entanto, Louise Nunn relatou à BBC que parte de seu testemunho sobre o impacto da morte da filha foi suprimida, limitando sua oportunidade de expressar sua dor e revolta. Em seu depoimento, ela escreveu: “Você destruiu todo o meu mundo. Se Immy estivesse aqui, agora, sei exatamente o que ela me diria, mas eu não estou com Immy e jamais perdoarei você.”

O impacto das redes sociais na vida de Immy

Immy, que sofria de grave deficiência auditiva, encontrou nas redes sociais um espaço para compartilhar sua vida com humor e otimismo. Sua mãe descreveu como as redes sociais a ajudaram a recuperar a confiança e a autoestima, transformando situações tristes em algo positivo. Essa faceta da vida de Immy contrasta com o trágico desfecho facilitado pelos produtos de Kenneth Law.

Em resposta às alegações de censura, o CPS declarou que “modificações estão sendo aplicadas às declarações das vítimas, seguindo orientação dos advogados canadenses, para garantir que sejam admissíveis nos tribunais do país”. A promotoria afirmou estar trabalhando para garantir que todas as vítimas e familiares tenham a oportunidade de compartilhar suas experiências durante o processo de sentença.

A busca por justiça e os próximos passos

Outra vítima identificada é Jeshennia Bedoya López, de 18 anos, filha de pais colombianos. Seu pai, Leonardo Bedoya, encontrou a jovem morta em seu quarto em 2022 e qualificou a decisão dos promotores de retirar as acusações de assassinato como “uma vergonha”. Ele e sua esposa fazem parte do grupo de familiares que se pronunciaram na audiência judicial no Canadá.

Agora, a justiça canadense delibera sobre o tempo de prisão de Kenneth Law. O caso levanta questões complexas sobre responsabilidade legal, o papel das plataformas online na disseminação de informações perigosas e a dificuldade em garantir justiça para as famílias em casos transnacionais.

Caso você seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda:
– O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento em todo o Brasil;
– Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar;
– Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190);
– Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192;
– Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h;
– Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil.
– Para aqueles que perderam alguém para o suicídio, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases) oferece assistência e grupos de apoio.

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