Lula adota postura de "fazer o diabo" e ataca decisões de seu próprio governo na reta final da eleição
Lula adota postura de “fazer o diabo” e ataca decisões de seu próprio governo na reta final da eleição

Lula adota postura de “fazer o diabo” e ataca decisões de seu próprio governo na reta final da eleição

Lula em “modo diabo” para eleição: ataques ao próprio governo marcam campanha A poucos dias da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a estratégia de “fazer o diabo” para conquistar votos, uma expressão popularizada por Dilma Rousseff e recentemente resgatada pelo próprio presidente. A novidade, contudo, é a adoção de uma […]

Resumo

Lula em “modo diabo” para eleição: ataques ao próprio governo marcam campanha

A poucos dias da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a estratégia de “fazer o diabo” para conquistar votos, uma expressão popularizada por Dilma Rousseff e recentemente resgatada pelo próprio presidente. A novidade, contudo, é a adoção de uma postura que inclui o ataque a decisões tomadas por seu próprio governo, uma tática que, segundo críticos, alimenta polêmicas e expõe contradições.

A expressão “fazer o diabo” para vencer nas urnas, que remonta a março de 2013 com Dilma Rousseff, ganha contornos irônicos na atual campanha de Lula. O presidente tem utilizado o que seus adversários chamam de “vale-tudo” para angariar apoio, mas essa estratégia, que se intensificou desde 2023, agora se volta contra ele ao confrontar suas próprias ações como chefe do Executivo.

As informações foram reunidas a partir de reportagens que analisam a campanha eleitoral e as recentes declarações e ações do governo.

Mudanças de rumo e críticas de adversários

Um dos exemplos mais notórios dessa guinada é a recente posição radicalmente oposta sobre as apostas esportivas (bets). O mesmo governo que propôs, sancionou e implementou a regulamentação dessas apostas, gerando bilhões em tributos, agora sinaliza o desejo de bani-las. Essa mudança de rota levanta questionamentos sobre a consistência das políticas públicas.

Outro recuo significativo ocorreu em relação à chamada “taxa das blusinhas”. A gestão petista havia apoiado a tributação de compras internacionais de pequeno valor, com Lula sancionando a cobrança. No entanto, para 2026, o fim dessa taxa entrou na pauta de negociações entre o presidente e as lideranças do Congresso Nacional, demonstrando flexibilidade em face do cenário eleitoral.

Bolsa Família e “canetas emagrecedoras”: medidas eleitorais em debate

O reajuste do Bolsa Família, anunciado a apenas 17 dias do primeiro turno, elevando o benefício de R$ 600 para R$ 691, é visto como um dos movimentos mais explícitos de cunho eleitoral. Embora o governo defenda a medida como mera reposição inflacionária e afirme a existência de espaço fiscal, a proximidade da votação intensificou o debate sobre o componente eleitoral de um programa que alcança milhões de famílias.

A escolha de um reajuste amplo, em detrimento de ações focalizadas, tem um impacto político considerável em um momento de alta no custo de vida, alinhado ao objetivo de Lula de preservar seu eleitorado de baixa renda. Paralelamente, a proposta de oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS também foi adicionada ao discurso presidencial, mesmo antes da definição clara de critérios, público-alvo e cronograma.

Exposição de contradições e crítica de opositores

A concentração dessas mudanças de posição às vésperas da eleição oferece munição para os adversários, que confrontam o Lula candidato com o Lula presidente. Ao propor correções para problemas que seu próprio governo contribuiu para criar ou manter, o petista expõe decisões anteriores ao escrutínio público. Críticos como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apontam que “o próprio governo cria os problemas para depois poder apresentar a solução para eles”, utilizando as contradições como ferramenta de crítica.

A atuação da campanha de Lula também se estendeu ao Judiciário, com o acionamento direto do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar eventual interferência estrangeira nas eleições. A ação foi destinada a Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula e indicado pelo petista para compor a Corte, adicionando mais uma camada de complexidade ao cenário político.

Tags:

Veja Também

Autoridades investigam suposto repasse milionário em dinheiro vivo para documentário de Lula

Autoridades investigam suposto repasse milionário em dinheiro vivo para documentário de Lula

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

São Paulo amplia teste do pezinho para rastrear Atrofia Muscular Espinhal (AME) no SUS

Optogenética: A revolução que ilumina o cérebro e rendeu um Nobel

Optogenética: A revolução que ilumina o cérebro e rendeu um Nobel