Avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) chega a 47%, o pior patamar já registrado pelo instituto Datafolha.
A percepção pública sobre o trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu seu ponto mais baixo desde o início da série histórica de pesquisas do Datafolha, em 2019. Segundo levantamento divulgado neste sábado (26), 47% dos brasileiros consideram a atuação dos ministros da Corte como ruim ou péssima. Este índice representa um aumento em relação aos 40% registrados em maio deste ano.
Em contrapartida, apenas 18% dos entrevistados classificaram o desempenho do STF como ótimo ou bom. Outros 31% consideram a atuação regular, e 4% não souberam opinar. A diferença entre as avaliações negativas e positivas chegou a 29 pontos percentuais, evidenciando uma ampla insatisfação popular.
A pesquisa ouviu presencialmente 2.002 eleitores nos dias 22 e 23 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00304/2026.
Divisão na percepção do eleitorado
O levantamento do Datafolha também expôs divergências significativas na forma como eleitores de diferentes espectros políticos avaliam o STF. Entre aqueles que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL), a avaliação negativa do tribunal é expressiva, atingindo 69%. Em contraste, entre os eleitores do presidente Lula (PT), o índice de reprovação é de 24%.
A percepção positiva também varia drasticamente: 32% dos eleitores de Lula consideram o STF ótimo ou bom, enquanto apenas 6% dos eleitores do senador compartilham dessa visão. Essa polarização reflete as tensões políticas atuais e a forma como o Judiciário tem sido percebido em meio a debates acirrados.
Rejeição a práticas específicas dos ministros
Além da avaliação geral, a pesquisa detalhou a rejeição dos brasileiros a determinadas condutas de ministros do STF. Um percentual altíssimo, 88%, considera inaceitável que um ministro julgue processos nos quais um parente atue como advogado. A prática de magistrados participarem de eventos pagos por empresas com ações na Corte também é condenada por 85% dos entrevistados.
Outra prática que gera forte reprovação é a tomada de decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos à Presidência durante o período eleitoral, com 82% dos brasileiros se mostrando contrários. Esses resultados indicam uma demanda por maior transparência e ética no âmbito da mais alta corte do país.
A pesquisa foi realizada em um contexto marcado pelos desdobramentos do escândalo do Banco Master, que tem envolvido figuras ligadas ao Judiciário e ao mundo empresarial.
