Campanha petista em alerta com pesquisas indicando Flávio Bolsonaro à frente em simulações de segundo turno
Pesquisas eleitorais recentes que colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenários de segundo turno acenderam um sinal de alerta na campanha petista. Em um cenário de pressão interna e busca por estratégias eficazes, a equipe de Lula procura uma “bala de prata” para conter a ascensão do opositor e conquistar o voto dos eleitores indecisos e independentes.
A inversão nas pesquisas começou a ser notada a partir de setembro, com levantamentos como o BTG/Nexus, Quaest e Real Time Big Data indicando um empate técnico ou a liderança de Flávio Bolsonaro. Mesmo em pesquisas que ainda mostram Lula à frente, como no Datafolha, a margem é pequena, configurando um cenário de acirrada disputa.
Essas informações foram reunidas a partir de dados divulgados por BTG/Nexus, Quaest, Real Time Big Data e Datafolha.
Medidas de apelo popular e proibição das ‘bets’ como estratégia eleitoral
Em resposta ao cenário eleitoral, o governo tem intensificado a adoção de medidas com forte apelo popular. Recentemente, foram lançados programas para endividados, como o Desenrola, que prevê o uso de recursos públicos para a quitação de dívidas antigas de consumidores junto a bancos. Outra iniciativa em discussão é a inclusão de medicamentos contra obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida mais significativa, porém, foi o reajuste de 15,04% no valor do Bolsa Família, elevando o piso do benefício e o valor médio. No entanto, até o momento, nenhuma dessas ações demonstrou alteração expressiva na popularidade do presidente ou em seus índices de rejeição.
Na sexta-feira (25), o governo deu um novo passo ao assinar uma medida provisória que determina o fim das apostas esportivas e dos jogos virtuais online no país. A medida visa, segundo analistas, atrair o público evangélico e, especialmente, as mulheres, que em pesquisas demonstraram maior apoio à proibição.
Proibição das ‘bets’: oportunismo eleitoral ou proteção ao cidadão?
A decisão de proibir as apostas online surge em meio a um debate sobre a contradição de uma medida que vai na contramão da regulamentação do setor, iniciada no próprio governo Lula em dezembro de 2023. A regulamentação visava estabelecer regras para o mercado, incluindo autorização prévia, tributação e mecanismos de fiscalização.
Especialistas apontam um possível oportunismo eleitoral na medida, que pode gerar judicialização e impactar significativamente clubes de futebol e empresas que investiram no mercado brasileiro. A proibição pode levar apostadores a plataformas clandestinas, retirando mecanismos de fiscalização e proteção, além de afetar a arrecadação fiscal projetada anteriormente.
A arrecadação federal com a exploração de jogos e apostas somou R$ 9,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, o que levanta questionamentos sobre o impacto fiscal da proibição. Analistas preveem um aumento no déficit primário caso a medida provisória seja aprovada, embora o Ministério da Fazenda relativize a questão da arrecadação frente ao bem-estar social.
As pesquisas sobre a opinião pública em relação às apostas online indicam um apoio considerável à proibição, especialmente entre as mulheres. Este cenário reforça a aposta da campanha petista em uma medida que pode capturar votos em um momento crucial da disputa eleitoral.
A metodologia das pesquisas citadas inclui: BTG Pactual/Nexus (2.002 eleitores), Quaest (2.004 eleitores), Real Time Big Data (2.000 eleitores) e Datafolha (2.002 eleitores), com margens de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
