STF condena Eduardo Bolsonaro por difamação contra Tabata Amaral
STF condena Eduardo Bolsonaro por difamação contra Tabata Amaral

STF condena Eduardo Bolsonaro por difamação contra Tabata Amaral

Supremo Tribunal Federal condena Eduardo Bolsonaro em caso de difamação contra Tabata Amaral O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a um ano de detenção, em regime inicial aberto, e ao pagamento de multa equivalente a 78 salários mínimos, o que totaliza R$ 126.438, por difamação contra a deputada federal […]

Resumo

Supremo Tribunal Federal condena Eduardo Bolsonaro em caso de difamação contra Tabata Amaral

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a um ano de detenção, em regime inicial aberto, e ao pagamento de multa equivalente a 78 salários mínimos, o que totaliza R$ 126.438, por difamação contra a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A decisão, proferida em julgamento virtual na sexta-feira (25), foi tomada por sete votos a três.

A acusação tem origem em publicações feitas por Eduardo Bolsonaro em outubro de 2021, nas quais ele questionava o Projeto de Lei (PL) 428/2020, de autoria de Tabata Amaral, que propunha a distribuição gratuita de absorventes. Nas postagens, o ex-deputado sugeriu que a iniciativa estaria ligada a interesses privados, mencionando o empresário Jorge Paulo Lemann e a empresa P&G.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Supremo Tribunal Federal.

Imunidade parlamentar e o voto do relator

O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, considerou que as declarações de Eduardo Bolsonaro imputaram a Tabata Amaral um fato ofensivo à sua reputação, caracterizando a elaboração de um projeto de lei com o intuito de financiar ilicitamente terceiros. A defesa de Eduardo alegou que as críticas se inseriam no debate político e que ele possuía imunidade parlamentar, além de basear-se em notícias veiculadas pela imprensa. Contudo, Moraes argumentou que o caso extrapolou o desempenho da função legislativa, não sendo, portanto, amparado pela imunidade.

O relator propôs que a pena de detenção não fosse substituída por restritiva de direitos, justificando que a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em local incerto, impediria a aplicação da substituição naquele momento. Os ministros Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes acompanharam o voto de Moraes. O ministro Edson Fachin concordou com a configuração do crime de difamação, mas divergiu quanto à impossibilidade de pena alternativa.

Divergência e absolvição

Em contraponto, os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques votaram pela absolvição de Eduardo Bolsonaro. Mendonça defendeu que as manifestações do ex-deputado estavam cobertas pela imunidade parlamentar, o que impediria sua responsabilização penal. Ele argumentou que a relação das declarações com o exercício do mandato é o que define a imunidade, e não a gravidade ou a exatidão das palavras.

Essa mesma divergência sobre a incidência da imunidade parlamentar já havia se manifestado em 2023, quando o STF decidiu sobre o recebimento da queixa-crime. Na ocasião, Mendonça, Fux e Nunes Marques já defendiam a aplicação da imunidade, enquanto Moraes e a maioria entendiam que ela não alcançava as manifestações do então deputado.

Contexto do projeto de lei

O Projeto de Lei 428/2020, que visava a distribuição gratuita de absorventes, acabou sendo prejudicado pela aprovação de uma proposta semelhante, o PL 4.968/2019, de autoria da ex-deputada Marília Arraes (PT-PE). O projeto aprovado resultou na Lei 14.214/2021, que instituiu o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual.

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