Campanhas de Lula e Renan acusam EUA de interferir nas eleições em favor de Flávio Bolsonaro e vão à Justiça
Campanhas de Lula e Renan acusam EUA de interferir nas eleições em favor de Flávio Bolsonaro e vão à Justiça

Campanhas de Lula e Renan acusam EUA de interferir nas eleições em favor de Flávio Bolsonaro e vão à Justiça

Campanhas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva e Renan Santos denunciam possível interferência dos Estados Unidos no pleito presidencial em favor de Flávio Bolsonaro. As acusações levaram a pedidos de medidas urgentes e investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O governo americano já negou qualquer envolvimento em interferência […]

Resumo

Campanhas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva e Renan Santos denunciam possível interferência dos Estados Unidos no pleito presidencial em favor de Flávio Bolsonaro. As acusações levaram a pedidos de medidas urgentes e investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O governo americano já negou qualquer envolvimento em interferência eleitoral.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou no STF e no TSE pedidos para que sejam tomadas providências contra uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, visando favorecer o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Paralelamente, o candidato presidencial pelo partido Missão, Renan Santos, também acionou o TSE com alegações semelhantes. As ações judiciais surgem após a veiculação de anúncios pagos em plataformas digitais, que, segundo as campanhas, utilizam cotas de apostas para sugerir um favoritismo de Flávio Bolsonaro, configurando possível financiamento e propaganda eleitoral proibida por origem estrangeira.

O Partido dos Trabalhadores (PT) solicitou ao STF a abertura de um inquérito pela Polícia Federal e a extensão de comandos de soberania nacional a todas as fases do processo eleitoral. A legenda argumenta que perfis localizados fora do Brasil e personalidades ligadas à política norte-americana, como o ex-deputado Matt Gaetz, além das contas UHN Plus, George Behizy e Iran Observer, teriam impulsionado conteúdos pagos com selo de “parceria paga”. O partido alega que o uso de cotações de plataformas de apostas, como a Polymarket, descontextualiza o cenário das pesquisas eleitorais oficiais e pode configurar infrações à legislação eleitoral.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela campanha do PT e pelo partido Missão.

PT pede ao STF ampliação da soberania nacional e investigação de conteúdos pagos

Na petição direcionada ao STF, o PT pede que a Corte determine que atos de Estados estrangeiros não produzam efeitos sobre o processo eleitoral, desde o alistamento até a diplomação dos eleitos. A legenda requer também que provedores de internet, plataformas digitais e instituições financeiras atuantes no Brasil sejam impedidos de executar ordens externas de remoção de conteúdo, rotulagem, desmonetização ou sanções patrimoniais contra autoridades eleitorais, partidos e candidatos. O partido vê os anúncios patrocinados como um descumprimento de uma liminar concedida anteriormente pelo ministro Flávio Dino e aponta a necessidade de investigar possíveis condutas de falsidade ideológica eleitoral, corrupção e lavagem de capitais.

A ação do PT também cita a atuação da rede conservadora norte-americana Rockbridge Network, fundada pelo vice-presidente americano J.D. Vance, e solicita apurações sobre a cessão de materiais audiovisuais das empresas Brasil Paralelo e Estúdio Quinto Elemento para a plataforma “Academia da Direita”, vinculada ao Instituto Álvaro Valle e mantida com recursos do Fundo Partidário do PL. Para a instrução das investigações, o partido solicitou ofícios com prazo de 72 horas a empresas como X, Meta, Polymarket e FSB Comunicação, exigindo a preservação e apresentação de dados sobre contratantes, valores e alcance dos anúncios no Brasil. O PT também pediu exames técnico-contábeis nas contas de campanha de Flávio Bolsonaro.

TSE é acionado para investigar abuso de poder e uso indevido de meios de comunicação

Em outra frente, a Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa Lula, ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no TSE contra Flávio Bolsonaro, seu vice na chapa, Alfredo Gaspar, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A ação, relatada pelo corregedor-geral do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, acusa os três de suposto “abuso de poder econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação relacionados à interferência estrangeira na disputa eleitoral”. O PT afirma que as “articulações de Flávio e Eduardo com autoridades norte-americanas transformaram sanções, barreiras comerciais e ataques à credibilidade das urnas em instrumentos para desgastar o governo Lula e favorecer a candidatura do PL”. Caso os abusos sejam reconhecidos, a coligação pede a cassação dos registros ou diplomas de Flávio e Alfredo Gaspar, e a inelegibilidade de Flávio e Eduardo por oito anos.

Renan Santos também denuncia interferência e pede reação do TSE

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também formalizou uma denúncia ao TSE sobre a suposta interferência dos EUA nas eleições em favor de Flávio Bolsonaro. Protocolada nesta quarta-feira (23), a ação está sob relatoria do ministro André Mendonça. Santos declarou que “perfis norte-americanos ligados ao Trump, perfis enormes ligados à direita, estão impulsionando conteúdo pago para eleitores brasileiros”. Ele classificou a situação como “interferência externa” e “crime eleitoral”, pois se trata de “dinheiro impulsionado fora da campanha”.

A Gazeta do Povo procurou Flávio Bolsonaro por meio de sua assessoria para comentar as acusações, mas ainda não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

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