Presidente busca aproximação com setor evangélico e defende separação entre fé e atividade partidária
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se nesta quarta-feira (16) com lideranças evangélicas no Palácio do Planalto, em um movimento de aproximação com o eleitorado religioso. Durante o encontro, Lula declarou que as igrejas não devem ser utilizadas para fins políticos, defendendo que os templos sejam espaços dedicados à “paz” e à “esperança”. A declaração surge em um momento em que o governo busca ampliar seu apoio em setores conservadores, que têm apresentado resistência à sua gestão.
“Se eu quiser fazer política e comitê, eu faço na rua. Mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, afirmou o presidente aos pastores presentes. Lula também sinalizou a importância do apoio das igrejas para a implementação de políticas públicas voltadas à população idosa, que o governo pretende lançar no próximo ano, caso seja reeleito. “Nós vamos precisar muito das igrejas no ano que vem”, declarou.
A reunião contou com a participação de pastores brasileiros e americanos, além de uma pastora cubana. O advogado-geral da União, Jorge Messias, e a primeira-dama, Janja da Silva, que tem atuado como ponte do governo com o eleitorado religioso, também estiveram presentes. Lula aproveitou a ocasião para antecipar parte da mensagem que pretende levar à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na próxima semana.
Discurso na ONU e cobranças internacionais
Na cúpula da ONU em Nova York, onde o Brasil tradicionalmente abre os discursos de chefes de Estado, Lula pretende defender medidas em prol da paz mundial. Ele também planeja responsabilizar os cinco países permanentes do Conselho de Segurança (França, Inglaterra, Estados Unidos, Rússia e China) pela produção e venda de armas, fatores que, segundo ele, contribuem para o início de conflitos. “Essa é a minha briga. E essa briga vai fazer parte do meu discurso na ONU”, disse o presidente, reiterando seu compromisso em lutar contra as dificuldades globais.
Apoio parcial e desafios com o segmento evangélico
No final de agosto, a Frente de Evangéli cos pelo Estado de Direito divulgou uma carta aberta declarando apoio à reeleição de Lula, argumentando que o petista estaria alinhado a valores cristãos e representaria uma alternativa ao que classificaram como “autoritarismo” associado a figuras políticas conservadoras. A carta enfatizava a importância de “Deus de paz” e criticava posturas políticas que atacam instituições e a democracia.
Contudo, a mesma frente ressaltou que o apoio não implica um alinhamento automático com o governo ou o Partido dos Trabalhadores (PT), mantendo sua autonomia para o diálogo. O governo federal frequentemente entra em conflito com setores conservadores da denominação religiosa em temas como a descriminalização do aborto, discussões sobre relações homoafetivas e agendas identitárias, pautas que desafiam os valores tradicionais defendidos por muitos fiéis e pastores.
