Ponte Preta: Do título inédito à beira da Série C em um ano de crise profunda
Ponte Preta: Do título inédito à beira da Série C em um ano de crise profunda

Ponte Preta: Do título inédito à beira da Série C em um ano de crise profunda

O contraste amargo de Campinas A Ponte Preta vive um momento de profunda crise, um ano após a euforia pela conquista inédita da Série C do Campeonato Brasileiro em 2025. O que era para ser o início de uma nova era para o clube campineiro se transformou em um pesadelo, com a equipe na lanterna […]

Resumo

O contraste amargo de Campinas

A Ponte Preta vive um momento de profunda crise, um ano após a euforia pela conquista inédita da Série C do Campeonato Brasileiro em 2025. O que era para ser o início de uma nova era para o clube campineiro se transformou em um pesadelo, com a equipe na lanterna da Série B e fadada ao rebaixamento para a terceira divisão nacional. A situação financeira, que já era delicada, se agravou, culminando em uma greve de jogadores e um jejum de vitórias que bateu recordes negativos.

A esperança de que o título da Série C pudesse amenizar os problemas financeiros do clube, que se arrastam desde 2017 com atrasos salariais e de direitos de imagem, se dissipou rapidamente. Atualmente, a Ponte Preta soma apenas 10 pontos em 25 rodadas da Série B. Um eventual tropeço contra o São Bernardo, no próximo domingo, marcará 20 jogos sem vencer na competição, um recorde na era dos pontos corridos.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Folha de S.Paulo.

Greve e abandono: o estopim da crise

A sequência negativa em campo se tornou insustentável com a deflagração de uma greve por parte do elenco principal. O motivo alegado pelos atletas é o atraso salarial superior a seis meses e o que eles chamam de “abandono da diretoria”. Segundo Filipe Rino, advogado que representa os jogadores, alguns atletas que estão no clube desde o início da temporada receberam apenas o equivalente a dois meses de salários, de forma fragmentada. A falta de respostas e de clareza por parte da diretoria motivou o movimento.

Sem o time principal, o técnico Gilson estreou no último domingo com um time formado apenas por jogadores da base para evitar uma derrota por W.O. contra o América-MG. Apesar da garra demonstrada no primeiro tempo, a equipe sofreu dois gols na segunda etapa, chegando à 19ª derrota na Série B e igualando a sequência de 16 jogos sem vitória do ABC em 2015.

Em um movimento que surpreendeu, os jogadores decidiram retornar aos treinos, mesmo sem a regularização completa dos salários. Rino explicou que a decisão foi motivada pela percepção de que a diretoria “deu de ombros” e ignorou a situação. O retorno, segundo o advogado, visou evitar um dano ainda maior à instituição e à torcida.

Debandada e dívidas monumentais

A crise, no entanto, resultou em uma debandada de jogadores. Muitos têm buscado na justiça desportiva a rescisão indireta de seus contratos devido aos atrasos salariais, como nos casos de Léo Gomes e Daniel Baianinho, cujo empréstimo foi encerrado por decisão judicial.

A diretoria da Ponte Preta reconhece os atrasos e o direito dos atletas ao protesto. O vice-presidente de futebol, Marco Antonio Eberlin, afirmou que “quem está errada é a Ponte Preta”, enquanto o presidente Luiz Antônio Alves Torrano lamentou a situação por ferir a imagem do clube, mas admitiu não poder culpar os atletas. O clube também sofreu o rebaixamento no Campeonato Paulista deste ano, com apenas 1 ponto em 8 jogos.

O futuro passa pela SAF?

O principal obstáculo apontado pela atual gestão é uma dívida estimada em R$ 380 milhões, herdada de administrações anteriores, que segundo o vice-presidente de futebol, Marco Antonio Eberlin, chega a R$ 400 milhões. O presidente Torrano aponta que o passivo começou a crescer nos anos 1990 e atingiu seu pico em 2021, com um déficit mensal de R$ 2,8 milhões.

Como possível saída para a crise financeira, a diretoria propõe a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A proposta em discussão prevê R$ 1 bilhão em investimentos, sendo R$ 300 milhões para quitar dívidas, R$ 300 milhões para o futebol e categorias de base ao longo de dez anos, e R$ 400 milhões para modernização das instalações. O Conselho da Ponte Preta se reunirá em 19 de [mês] para votar a alteração estatutária necessária, um primeiro passo que, segundo Eberlin, autorizará a constituição da SAF para o departamento de futebol.

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