Ex-líder das Farc alerta para risco de nova violência após falas de presidente eleito da Colômbia
Ex-líder das Farc alerta para risco de nova violência após falas de presidente eleito da Colômbia

Ex-líder das Farc alerta para risco de nova violência após falas de presidente eleito da Colômbia

Alerta de violência e pedido de diálogo marcam cenário pós-eleição na Colômbia O ex-líder da extinta guerrilha das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, alertou para o perigo de uma nova onda de violência na Colômbia em decorrência de declarações do presidente eleito. Em entrevista à agência AFP, Londoño manifestou preocupação com o que chamou […]

Resumo

Alerta de violência e pedido de diálogo marcam cenário pós-eleição na Colômbia

O ex-líder da extinta guerrilha das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, alertou para o perigo de uma nova onda de violência na Colômbia em decorrência de declarações do presidente eleito. Em entrevista à agência AFP, Londoño manifestou preocupação com o que chamou de “discursos de ódio” e as ameaças do futuro mandatário de prender lideranças das Farc e desmantelar pilares do acordo de paz de 2016. Para tentar mitigar o clima de tensão, um grupo de ex-comandantes da guerrilha enviou uma carta ao presidente eleito propondo um diálogo para preservar o pacto.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência AFP.

Críticas ao acordo e ameaças de revogação

O presidente eleito, Abelardo de la Espriella, um político de ultradireita e crítico declarado do acordo de paz, prometeu durante a campanha o desmonte da Jurisdição Especial para a Paz (JEP). Este tribunal, criado pelo acordo, é responsável por julgar crimes cometidos durante o conflito armado e oferece penas alternativas à prisão para ex-guerrilheiros e militares que contribuam para o esclarecimento da verdade. Em um vídeo divulgado recentemente, De la Espriella classificou “Timochenko” como “bandido” e “criminoso de guerra”, afirmando que ele “merece ficar preso pelo resto da vida” e que a JEP é um “disfarce de tribunal”.

Além disso, o presidente eleito sinalizou o fim das negociações em andamento com grupos dissidentes das Farc e intensificação da ofensiva militar contra guerrilhas ligadas ao narcotráfico, inclusive com bombardeios. Ele também sustenta que as penas impostas pela JEP aos ex-guerrilheiros são brandas, especialmente em comparação com as condenações de forças de segurança por execuções extrajudiciais.

Apelo por diálogo e o legado da paz

Em contrapartida, Rodrigo Londoño, que foi condenado pela JEP a oito anos de trabalhos comunitários pela responsabilidade em mais de 21 mil sequestros atribuídos às Farc, defende o diálogo como ferramenta fundamental para a paz. Ele ressaltou que os signatários do acordo de paz têm sido alvo constante de estigmatização e discursos de ódio, o que considera “extremamente perigoso”. “É muito importante baixar o volume dessas mensagens de ódio”, afirmou à AFP durante um evento que marcou os dez anos do acordo.

Desde a assinatura do pacto, 492 ex-guerrilheiros foram assassinados, segundo a Missão de Verificação da ONU. Em um esforço para acalmar os ânimos, Londoño e outros seis líderes históricos da guerrilha enviaram uma carta a De la Espriella, ratificando seu “compromisso inabalável de honrar” o tratado e esperando que o Estado colombiano responda com a mesma “honradez”. “Acredito que o diálogo é fundamental para conquistar a paz”, declarou Londoño, enfatizando que a sociedade colombiana “amadureceu muito” e é capaz de se entender para construir o futuro do país.

Desafios para a manutenção do acordo

Apesar da resistência expressa por parte do governo eleito, a desmantelação da JEP exigiria uma reforma constitucional, que precisaria ser aprovada pelo novo Congresso. Contudo, o partido de De la Espriella possui representação minoritária na nova casa legislativa, o que pode representar um obstáculo significativo para a concretização de suas promessas.

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