Creatina para Mulheres na Menopausa: O Que a Ciência Diz?
A creatina, suplemento conhecido por seu uso no mundo fitness, tem ganhado espaço nas discussões online sobre menopausa. Influenciadoras digitais têm defendido seu uso para combater sintomas como ondas de calor, perda de massa muscular e até alterações de humor e memória.
A base do argumento dessas influenciadoras é a queda dos níveis de estrogênio durante a perimenopausa, que pode levar à perda muscular. Elas sugerem que a creatina, aliada à musculação, poderia potencializar os treinos e melhorar a saúde geral da mulher. No entanto, a comunidade científica pede cautela.
Embora a creatina monoidratada, sua forma mais estudada, seja considerada segura e mostre benefícios modestos em massa muscular e desempenho físico em algumas populações, a imagem completa de seus efeitos em mulheres na menopausa ainda é incerta. Conforme informações divulgadas pelo The New York Times, a comunidade médica e científica aponta para a carência de pesquisas aprofundadas especificamente neste grupo.
Creatina e Massa Muscular na Menopausa: Evidências Limitadas
Existem evidências de que a creatina pode auxiliar no aumento da massa muscular e no desempenho físico, especialmente em atletas. Contudo, a maioria dos estudos foi realizada com homens, e as pesquisas que incluíram mulheres sugerem que os benefícios podem ser menos expressivos para o público feminino. Os resultados obtidos em homens não podem ser diretamente extrapolados para mulheres.
Estudos focados em mulheres na peri e pós-menopausa apresentam limitações, como amostras pequenas. Um estudo publicado no ano passado, por exemplo, com apenas 15 participantes, apontou “aumentos significativos na força dos membros inferiores” com o uso de creatina, mas a validade geral dos resultados é questionada pela comunidade científica devido ao pequeno número de participantes.
Uma metanálise recente constatou que a creatina melhorou a força muscular na população geral, mas não conseguiu tirar conclusões sobre seus efeitos na meia-idade por falta de dados. O “viés de gênero” nas evidências disponíveis é um ponto levantado por especialistas, indicando que os estudos existentes não são suficientes para generalizar os benefícios para todas as mulheres na menopausa.
Impacto da Creatina na Cognição e Humor na Menopausa
As pesquisas sobre os efeitos da creatina na memória e no humor, queixas comuns durante a menopausa, são ainda mais escassas e carregam as mesmas limitações: amostras reduzidas, potenciais conflitos de interesse e um foco desproporcional em homens. Alguns estudos iniciais sugerem que a creatina pode ter um papel no metabolismo energético cerebral, auxiliando a memória, e possivelmente influenciando o humor.
No entanto, esses achados preliminares não são definitivos. Especialistas como a médica Pelin Batur, diretora médica do Centro de Saúde e Pesquisa para Mulheres da Cleveland Clinic, afirmam que os potenciais benefícios para a cognição e o humor são “muito pequenos” e que o quadro geral ainda não é claro. A falta de estudos adequados em mulheres é um consenso entre pesquisadoras da área.
Segurança e Recomendações para o Uso de Creatina
A creatina é considerada segura para a maioria das pessoas, com efeitos colaterais geralmente limitados a desconforto estomacal ou retenção de líquidos. Pessoas com histórico de doença renal, no entanto, devem sempre consultar um médico antes de iniciar o uso. A recomendação geral para quem optar por usar creatina é não exceder cinco gramas por dia, para evitar efeitos colaterais e garantir a eficácia.
Apesar da falta de comprovação robusta para os sintomas da menopausa, alguns especialistas como Nanette Santoro, professora da Universidade do Colorado, não desencorajariam uma paciente saudável a experimentar a creatina para ganho muscular ou sintomas cognitivos, devido ao seu baixo custo e baixo risco. Ela ressalta, porém, que “a creatina ganhou muito impulso pelo poder das redes sociais”, mas são necessárias “centenas a milhares de pessoas” em estudos para se ter conclusões definitivas sobre seus efeitos em mulheres na menopausa.
A escolha de marcas certificadas por organizações independentes, como a USP ou a NSF, é crucial para reduzir os riscos de contaminação ou dosagem inconsistente, comuns em suplementos alimentares. A orientação profissional de médicos e nutricionistas é fundamental para tomar decisões informadas sobre a suplementação durante a menopausa.