A Nova Onda Digital no Congresso: Influenciadores Jovens Assumem Cadeiras e Desafiam a Política Tradicional
A Nova Onda Digital no Congresso: Influenciadores Jovens Assumem Cadeiras e Desafiam a Política Tradicional

A Nova Onda Digital no Congresso: Influenciadores Jovens Assumem Cadeiras e Desafiam a Política Tradicional

A ascensão da “bancada dos influenciadores” no Congresso Nacional marca uma nova era na política brasileira, impulsionada pela força das redes sociais e pela juventude de seus representantes. A partir de 2027, o parlamento receberá um reforço multipartidário de jovens candidatos que transformaram plataformas digitais em alicerces de suas campanhas, prometendo trazer um novo dinamismo […]

Resumo

A ascensão da “bancada dos influenciadores” no Congresso Nacional marca uma nova era na política brasileira, impulsionada pela força das redes sociais e pela juventude de seus representantes. A partir de 2027, o parlamento receberá um reforço multipartidário de jovens candidatos que transformaram plataformas digitais em alicerces de suas campanhas, prometendo trazer um novo dinamismo e, para alguns, um contraponto à política tradicional.

Nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), André Fernandes (PL-CE), Kim Kataguiri (MDB-SP), Erika Hilton (PSOL-SP) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), já consolidados na Câmara, verão a chegada de uma nova geração. Muitos desses novos deputados possuem menos de 30 anos, acumulam mais de um milhão de seguidores e demonstram habilidade em gerar engajamento online. Um exemplo é o vereador Guilherme Kilter (Novo-PR), de 24 anos, que se tornou o segundo candidato a deputado federal mais votado no Paraná, com quase 270 mil votos. Kilter defende a renovação política, citando a redução da média de idade na Câmara de Curitiba após sua eleição e a sua ascensão como o vereador mais jovem da história da cidade.

Kilter aponta a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e o efeito Nikolas Ferreira como marcos na política nacional, evidenciando o poder das redes sociais em detrimento da propaganda tradicional. “O rótulo é o de menos: ser influenciador ou ser criador de conteúdo. O importante é que a gente fala o que as pessoas pensam, representa o que elas acreditam e está disposto a defender esses valores lá no Congresso”, afirmou.

Em resposta às críticas sobre falta de experiência, Kilter lista mais de 50 projetos apresentados em menos de dois anos de mandato, incluindo leis de mobilidade urbana e de utilidade pública. Ele rebate as acusações de “videozinho” e “dancinha”, classificando-as como tentativas de desqualificar sua comunicação, e contrapõe a prática do “toma lá, dá cá” e de emendas parlamentares com uma forma de fazer política que, segundo ele, pode ser diferente.

A Onda Pavanato e o Debate sobre Conteúdo

Seguindo um modelo similar ao de Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato (PL-SP), de 30 anos, foi um dos grandes destaques, com mais de 3 milhões de votos. Considerado o político brasileiro mais influente nas redes sociais, com cerca de 45 milhões de seguidores somados em diversas plataformas, Pavanato, assim como Ferreira, foi um dos mais votados do país. A dupla foi responsável por impulsionar a eleição de outros 20 parlamentares no sistema proporcional.

Pavanato, que possui cerca de 10 milhões de seguidores, participou ativamente de campanhas e debates, utilizando seu alcance para provocações políticas. Sua declaração chamando Fernando Haddad (PT-SP) de “desempregado” viralizou, gerando mais de 1,5 milhão de visualizações em seu Instagram. No entanto, sua trajetória, com origem no MBL, também gerou críticas de fundadores do movimento, como Renan Santos, que questionou seu “intelecto” e atribuiu seu sucesso a vídeos de funk e a uma postura superficial.

O deputado reeleito Kim Kataguiri também expressou preocupação com a priorização de pautas identitárias por nomes como Pavanato, lamentando que o eleitorado pareça ter esquecido “problemas reais” em favor de debates sobre questões como banheiros. A assessoria de Pavanato informou que ele não concederia entrevistas devido à agenda de campanha.

Novos Rostos da Direita e a Efetividade Digital

A chamada “bancada dos influenciadores” da direita se fortaleceu com a eleição de diversos jovens. Dentre eles, destacam-se Lucas Pavanato (PL-SP), 28 anos, conhecido por seu estilo provocador; Jeffrey Chiquini (Novo-PR), 36 anos, que ganhou projeção ao defender Filipe Martins e acumula 2,7 milhões de seguidores; Guilherme Kilter (Novo-PR), 24 anos, que chega com 1,4 milhão de seguidores; Carmelo Neto (PL-CE), 25 anos, eleito deputado estadual e beneficiado pela votação de André Fernandes; e Lucas Polese (PL-ES), 30 anos, que se tornou o deputado federal recordista no Espírito Santo com apoio de Nikolas Ferreira. Julia de Castro (PL-RJ), 24 anos, é outra estreante que chegou ao Congresso Nacional com o apoio de Ferreira, sem nunca ter ocupado um cargo eletivo anteriormente.

A Esquerda Amplia sua Presença Digital

Em resposta à consolidação da direita nas plataformas digitais, a militância de esquerda também reagiu nas eleições proporcionais. Candidatos com milhões de seguidores nesse espectro político foram eleitos para a Câmara Federal. Ana Júlia (PT-PR), 26 anos, embora não se considere uma “influenciadora digital”, foi a mulher mais votada no Paraná para a Câmara Federal. Ela atribui seus 346 mil seguidores à sua trajetória política, iniciada como a deputada estadual mais jovem do Paraná, afirmando que a presença digital é uma consequência do trabalho cotidiano e do mandato, e não um trampolim.

Ana Júlia critica a “política do espetáculo” e a busca por métricas de “lacração” e escândalo, argumentando que o algoritmo favorece conteúdos de ódio em detrimento de debates racionais. Ela participou da campanha digital de Lula, auxiliando na adequação da comunicação do presidente para alcançar novos eleitores. Outros nomes importantes da esquerda incluem Ana Elisa (PT-MG), 21 anos, a deputada federal mais jovem do país e com 5,3 milhões de seguidores; Guilherme Cortez (PSOL-SP), 29 anos, com 1,6 milhão de seguidores e ativista LGBTI+; Pedro Rousseff (PT-MG), 26 anos, sobrinho de Dilma Rousseff e com 1,3 milhão de seguidores; e Jones Manoel (PSOL-PE), 36 anos, autodeclarado comunista e historiador com 2,5 milhões de seguidores.

Debate sobre Impulsionamento e o Futuro no Congresso

A ex-deputada federal Janaina Paschoal (PP-SP) expressou otimismo quanto à adaptação dos jovens influenciadores ao Congresso, mas alertou para a necessidade de vivência real na Casa Legislativa, não apenas atuação online. Ela também defendeu a discussão sobre o papel de plataformas como a Meta e a influência do impulsionamento de campanhas. “Quanto mais sem lógica, quanto mais apelativa, quanto mais grotesca, quanto mais sem fundamento, mais a postagem alcança as pessoas. E com isso nós temos maiores chances de eleger pessoas sem conteúdo”, comentou, temendo a eleição de “pasteis de vento”.

Vanessa Marques, consultora em marketing político, aponta que a identificação com o candidato fortalece o pertencimento e a representação política. Contudo, o principal desafio para os novatos será adaptar a atuação nas redes sociais ao trabalho parlamentar no Congresso, onde o número de seguidores ou votos não confere poder adicional. “O enfrentamento está em outra dimensão. Vamos esperar para ver se eles terão a capacidade técnica e política de lidar com os desafios do Congresso. Os 513 parlamentares têm o mesmo poder de voto”, concluiu.

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