TSE nega pedido de Flávio Bolsonaro para suspender mensagens do governo Lula
TSE nega pedido de Flávio Bolsonaro para suspender mensagens do governo Lula

TSE nega pedido de Flávio Bolsonaro para suspender mensagens do governo Lula

Corregedor do TSE rejeita suspensão de mensagens governamentais a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, negou nesta quinta-feira (22) um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para suspender imediatamente o envio de mensagens pelo governo federal por meio do WhatsApp e RCS (Rich Communication […]

Resumo

Corregedor do TSE rejeita suspensão de mensagens governamentais a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, negou nesta quinta-feira (22) um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para suspender imediatamente o envio de mensagens pelo governo federal por meio do WhatsApp e RCS (Rich Communication Services). A campanha do senador alegava que os disparos configuravam o “maior caso de uso da máquina pública em favor de uma candidatura presidencial” na história democrática do Brasil.

Na decisão, Cueva acolheu a ação de investigação judicial eleitoral (Aije) apresentada e concedeu prazo de cinco dias para que as partes se manifestem. O ministro argumentou que, em análise preliminar, as mensagens enviadas pela conta oficial “GovBR” e por plataformas governamentais têm caráter administrativo, informativo e de orientação social. Segundo ele, os conteúdos examinados não contêm pedidos explícitos de voto nem referências diretas a candidatos, o que tornaria inadequada uma ordem de suspensão genérica sem a comprovação de desvio eleitoral em casos específicos.

A campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou a retirada imediata da marca e do slogan “União e Reconstrução” da foto de perfil e das mensagens da conta “GovBR”. Este pedido foi igualmente negado pelo corregedor, que ressaltou, contudo, que o indeferimento da liminar não constitui um “salvo-conduto” ou autorização para publicidade institucional ilícita. A análise definitiva sobre o mérito da questão foi reservada para a fase posterior à instrução processual.

Detalhes da Ação e Acusações

A ação judicial mira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, que se afastou do cargo para atuar na campanha petista. A defesa de Flávio Bolsonaro acusa os três de abuso de poder político, econômico e de autoridade.

A alegação central é a utilização combinada de bases de dados públicas, como cadastros do Gov.br, canais oficiais verificados e orçamento público, para o envio de mensagens durante o período eleitoral vedado, iniciado em 4 de julho de 2026. Entre os conteúdos citados na ação estão comunicados sobre a proibição das apostas esportivas (bets), o aumento do Bolsa Família, a retirada de medicamentos na Farmácia Popular e informações a aposentados e pensionistas do INSS sobre a validade do voto como comprovação de vida.

A defesa do senador também apontou possíveis indícios de abuso econômico no projeto “Conexão Cidadã”, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Este projeto, executado com apoio do Instituto de Apoio à Universidade de Pernambuco (IAUPE) e operado pela empresa Microtarget sem licitação pública, teve seu valor elevado de R$ 34,5 milhões para R$ 273,2 milhões, dos quais R$ 237,8 milhões já foram repassados. A petição inicial também menciona contratos com o Serpro via plataforma “Notifica BR”, que estima 170 milhões de notificações mensais ao custo de R$ 20,4 milhões anuais.

Próximos Passos e Pedidos da Defesa

Para os advogados da campanha de Flávio Bolsonaro, o envio dessas mensagens demonstra uma “induvidosa apropriação eleitoral da capacidade comunicacional do Estado para beneficiar os candidatos à reeleição”. Na ação, a defesa pede a cassação dos registros ou diplomas da chapa formada por Lula e Alckmin, além da declaração de inelegibilidade por oito anos para Lula e Sidônio Palmeira.

Paralelamente, o corregedor Cueva determinou que a defesa de Flávio Bolsonaro especifique, em até 48 horas, quais dados e registros digitais pretende preservar junto aos órgãos federais e à Meta, controladora do WhatsApp. A decisão, publicada nesta quinta-feira, aguarda as manifestações das partes para prosseguir com a análise do caso.

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